segunda-feira, 25 de abril de 2011

Melhor forró da minha vida (3)

chupa essa planeta terra!
kurt rolou no tumulo.

Vida de garoto




Já estou meio que um tempo sem postar coisas aqui. Nem aqui, nem em lugar nenhum. Esse desmazelo com meu blog aconteceu porque eu fui vendido a um feudo, e lá trabalho de escravo em tempo integral e desnatado.
 Ai como nada de legal e surpreendente acontece comigo mais, assim como não acontecia antes, vou tirar uma bela e triste história do fundo do baú da vovó Lindalra e escrever aqui para vocês.

‘’fighter!!!.... fatality! ‘’
por: Junior Nodachi

Era apenas um pobre garoto inocente da quinta serie do ensino fundamental, hoje conhecido como sexto ano. Quando o garotinho se deparou como uma situação que lhe renderia um desafio que ele jamais havia enfrentado. Estava em sua frente, uma enorme gigante negão dos infernos, seu nome era Felipe, (conheço muitos felipe’s), ele tinha acabado de jogar o pobre caderno do pobre garoto no lixo, e estava comemorando com sua pilhagem de grafites e canetas bic, que ele tinha surrupiado das pessoas durante toda a manhã.
O garoto, como um garoto bobo que não era, (mais era), resolveu tira satisfação com o gigante monstruoso do inferno.

- Qualé guri? Por que tu jogou meu caderno ali? Ta de onda é?
- Porra nenhuma, quem manda nessa merda aqui sou eu.
- Seu filho de uma ****!
- Tu xingou minha mãe?
- Claro que sim! Seu bobo, feio e cara de mamão
- Vou te da uma surra se você falar da minha mãe de novo
- Beleza então, eu nunca mais falo da **** da sua mãe, nem da ******** da sua irmã e muito menos da ******** da sua avó.

O garoto ia em direção ao vazo de lixo buscar seu caderno, (não era do Pokémon dessa vez). Ele estava desfolhado e sujo, empoeirado folha por folha, a capa meio rasgada, e todos o adesivos roubados. O garoto já não tinha mais esperanças, só uma coisa lhe movia naquele momento, o ódio. Ele queria ver sangue, queria ter uma doze (foi ai q o residente entrou na minha vida), queria ter uma machado que ele tinha numa velha ficha de RPG. Queria matar o gigante, assim como Joãozinho matou o dele, (no caso seria o jãozinho).
Ele dava passos largos em direção ao perigo, que estava logo a sua frente. A cada passo ele crescia mais e mais, ficava mais e mais forte, ficava mais e mais assustador. O garoto firmou seu punho e olhou seriamente com os olhos serrados para o gigante. O gigante Felipe do inferno olhava de volta e ria.

 - É o que préibói? Quer que eu te estoure?
- ...
- vai me xingar mais não é?

Nesse momento o garoto lembrou de seus ensinamentos ninjas do mal, aprendidos em tantos treinos imaginários, ou vendo filme do Seu Miagui. Como Tumtum faria ele se posicionou na frente do temido e assustador Felipe, o mesmo Felipe que obrigou praticamente a sala toda pra se tornar o líder, pois poderia matar pessoas se isso não acontecesse. O garoto olhou novamente o gigante,  tomou fôlego, e aplicou um belo chute no saco do gigante, fazendo o gigante se contorcer de dor, gritar, ficar em prantos. O garoto continuava a olhar seu tênis marrom numero 36 reforçado com plástico. Ele não acreditava que havia vencido o gigante. Todos humilhavam o gigante, e riam da cara dele. Foi nesse instante que o garoto viu que aquilo não era o fim, pois o gigante tinha uma moral a zelar.

O garoto começou a suar frio, e o gigante se tornava enorme outra vez, com uma respiração funda, pesada, com um olho preto de ódio, dor e vergonha. O gigante serrou o punho e aplicou um golpe certeiro na cara do pobre garoto do caderno devastado, fazendo o pequeno guri enxergar tudo branco, e sentir uma enorme força.

Estava tudo em câmera lenta, as pessoas olhavam o garoto, e quem o clamava a pouco, o humilhava em seguida. Nesse instante o amigo do nosso herói, seu intrépido companheiro ‘’smilinguido ‘’, carinhosamente chamado de ‘’Smille’’ separou os dois brigões com a ajuda do professor Cesar de história, que não acreditava na cena histórica que via. Parecia rever a lenda de David e Golias.
O pobre garoto foi levado para a cantina, onde passou duas aulas passando gelo na cara, e sendo apoiado pelo seu amigo, que não cansava de repetir a história para todos que viam o pobre garoto em estado de choque.

O gigante foi levado pela conte marcial dos gigantes do inferno pra ser julgado por bater em um pobre garoto, mas não sofreu conseqüência, pois estavam em uma escola publica, ou para os achegados ‘’uma terra sem leis‘’.

O garoto chegou a casa naquele dia bem mais cabisbaixo que o normal, foi até surpreendido pela estada do seu tio, que tinha vindo da UFRJ para passar uns dias ali. Louco por um pouco de consolo e uma grande dose de gelo, o garoto contou pra mãe o ocorrido, que não conteve as lagrimas, não de tristeza, mas sim de alegria, ele chorava de rir da cara do pobre garoto, seu tio já mais preocupado chamou o garoto para perto de si, olhou o ferimento e também caiu em êxtase, todos rindo muito do garoto. Garoto esse que poderia ainda levar um tiro no dia seguinte.

Dramático como sempre foi, o garoto se preparou, e disse uma sabia frase pra seu intrépido ajudante, uma frase aprendida nos subúrbios de Feira de Santana.

- Se hoje ele tentar me matar?
- isso pode acontecer
- já sei, vou falar que ‘’vou mandar minha barreira pegar ele’’.
- mas você não tem barreira, você só fala comigo.
- mas ele não precisa saber disso, e sem falar que eu tenho a maior pintar de maloqueiro, né?
- é, podes crer... mó pinta de maloqueiro mesmo.

A ultima noticia de que tive desse pobre garoto herói é que ele estava bem, saudável, gordinho e barbudo, mas claro, ainda com sua pinta de maloqueiro gangster sangue ruim do gueto.

domingo, 3 de abril de 2011

Virose




‘’Rodolfo o Dr. Virose’’
Por: Junior Nodachi

Rodolfo Nogueira Peixoto Neto. Rolf para os íntimos. 54 anos, 1,76 de altura, 94 quilos, cabelos grisalhos, sorriso amarelado e um belo e simpático olhar amistoso.  Filho de Maria Peixoto silva e Arnaldo Nogueira Peixoto.

 Sua escolha de profissão já vinha planejada por seus pais desde antes de seu nascimento, pois todos queriam um medico na velhice. E assim foi. Ao entra na faculdade, publica deveras, mas com pouco esforço como ele esbravejava do céu ao inferno.

Logo nos primeiros semestre ele conheceu sua paixão. Não era uma aluna, nem uma arte, e sim o tão valorizado ‘’jeitinho brasileiro’’. Adepto do modo antigo de trabalhar, pra ele tudo podia ser curado de um modo fácil e pratico, sem nada muito tecnológico, ou como ele mesmo dizia ‘’futurista’’.
Não era o melhor, nem o pior aluno da classe, era um aluno razoável. Em suas provas, ou na residência já mostrava uma desenvoltura notável em tratamento ao público, ou aos pacientes, como preferir.

- Rodolfo, ela esta com pressão alta, febre, e reclama de dor no fígado. O que poderia ser?
- Virose! Isso só pode ser virose.

-Rodolfo, ele teve uma ataque cardíaco recentemente, e diz que não conseguir respirar bem.
- Essa é fácil. Virose, ele tem virose.
 
- Dr. Rodolfo, ele teve um traumatismo craniano e pode ter hemorragia interna. Qual será o procedimento?
- Nenhum claro. Não vê que isso não passa de uma virose mal curada.

E assim Rodolfo levava sua vida, dia após dia, semana após semana. Uma vez sua filha tinha se cortado com um estilete, com medo de sua filha pegar tétano Dona Marta chamou Rodolfo.

- Rodolfo! Corre aqui.
-O que foi Marta? Que escândalo é esse?
- A Julia se cortou, leva ela lá no hospital e da uma vacina antitetânica.
- Marta, Marta, rsrsrsrs, tantos anos casado com medico e ainda não conhece uma virose quando vê uma? Francamente Marta

Com isso Rodolfo ai tomando se tornando um exemplo de medico. Fazia palestras, escrevia livros, participou até de uma serie no Fantástico uma vez. Era a estrela do Hospital João Serafim Benjamin de Holanda Barros. Era uma sorte uma família ser atendida por tal rigoroso medico.

Seu pai passava mal uma noite dessas. Dona Maria ligou pra seu filho ‘’medico doutor’’ como ela se gabava pra as amigas, ele atendeu meio sonolento, pois já passava das duas da manhã de um domingo. Ela falou que o seu pai estava sentindo dores no peito. Ele pediu para que ela passasse o telefone para o pai, e ela passou rapidamente, seu titubear. Rodolfo falava com o pai, e o pai com Rodolfo. Dona Maria morria de preocupação, botava as mãos rentes e rezava pela melhorar de seu marido. A conversa logo acabou e Rodolfo virou na cama e dormiu. Marta o cutucava querendo saber o tinha acontecido, mas ele só bufava falando que o pai estava com uma virose, e Marta começava a se preocupar com seu sogro Arnaldo.
Na manhã seguinte, bem cedinho mesmo, o telefone tocava desesperadamente no criado mudo ao lado da cama de Rodolfo. Era seu irmão. Ele soluçava, e rangia dos dentes. Foram minutos até ele contar que o pai tinha morrido durante a noite.

Rodolfo pulou da cama como um jato e foi pra o hospital. Lá a família chorava a perda de Arnaldo. Na mesma semana do acontecido, Rodolfo estava pelando em febre. Delírios iam e vinham e seu braço esquerdo doía muito, sua cabeça parecia que ia explodir a qualquer momento. Sua mulher chamou a SAMU as pressas, tudo isso contra a vontade de Rodolfo, que usava sua força pra gritar que não queria morrer numa cama de hospital fria e solitária como seu pai. No hospital todos esperavam uma noticia, pois Rodolfo já estava em uma sala com um medico novo que tinha vindo do Hospital estadual.
 Quando Rodolfo perguntou, com lagrimas nos olhos e sua cara de descendente de italianos, toda vermelha.

- O que eu tenho doutor? Não me esconda nada, eu sou medico também.
- Dr. Rodolfo não se preocupe com isso
- Como não me preocupar? Isso é quase um derrame, eu tenho certeza.
- Não Dr. Rodolfo, errou por muito, rsrsrs, o senhor esta com uma virose, nada que um xarope não cure.

E assim o medico do Hospital Estadual saiu do quarto, para comunicar à família que o susto não passara de um alarme falso.
Momentos depois enfermeiros corriam na direção do quarto de Rodolfo, mas isso já outra história.

Melhor forró da minha vida (2)

:) o forró muda minha vida