terça-feira, 31 de maio de 2011

Ônibus




‘’Buzão’’
Por: Junior Nodachi

Meu fascínio por ônibus não vem de muito tempo atrás. Eu era um reles passageiro daquela lata engordurada e nojenta. Porém quanto mais eu odiava sentar naquelas cadeiras desconfortáveis, mais meu fascínio pela maquina transportadora de homens aumentava.

Comecei sem nem perceber. Quando vi, já estava observando cada comportamento, atitude, postura. Sinto que fiquei viciado em estar sentado em um ônibus sujo. Tudo começou pela janela, e que janela. São quinze lindos e maravilhosos segundos de parada no ponto. Um dos meus momentos favorito da viagem, que por acaso se passa antes da viagem, no ponto.

Cada olhar para as janelas dos ônibus me lava pra um novo lugar. Pessoas sentadas, pessoas em pé, pessoas dormindo, conversando, chorando, brigando e etc. Milhões de história que poderiam ser vista, computadas, apreciadas. Tento fazer uma história pra cada um, uma história curta, tão curta quando seu breve momento parado no ponto. Queria analisar todos, mas nunca passo de três. Acho que esse é meu limite. Pelo menos por hora.

Quem são as pessoas do ônibus? De onde elas vêm? Pra onde elas vão? O que estão sentido? São todas perguntas que eu mesmo tenho que responder. Eu sempre tive a necessidade de saber exatamente o que as pessoas estão sentido em determinado momento, mas confesso que não sou tão curioso a ponto de perguntá-las. Eu só quero mesmo é entender, olhar e descobrir, de preferência sozinho.   

Quando eu subo as escadas, é como entra em um portal. Tantas pessoas diferentes dividindo o mesmo espaço, o mesmo oxigênio, o mesmo tudo. Falando suas vidas como se não lhe importassem as pessoas que estão ali do lado. Cada segundo conta muito. Quando você muda de uma pessoa para outra, a história com ela muda também. São histórias comuns, do dia-a-dia, mas às vezes você se depara com coisas interessantes, coisas que valem a pena observar.  O único problema é quase sempre não vemos o final. Problemas pra uns, pois pra mim é só mais uma parte favorita do grande novelo de laços e contos que é o ônibus.

Sempre quis entrar em um só pra ouvir. Levar um bloco de notas e observar. Dar voltas e voltas, percorrer vários bairros, entender a diferença de cada lugar, as pessoas de cada lugar. Um dia realizo esse pequenino fetiche.

Você observa isso no ônibus, ou eu sou meio retardado mesmo? Acho que já sei a resposta, rs. E a propósito. Levante para os velhinhos, mesmo que eles não queiram. Encha a boca de ar, faça uma cara de sapo e diga: ‘’eu sou fortão! Pega meu lugar’’.  Éh... eu já fiz isso... mais de uma vez, hahahaha.

Proposta do texto: Comece uma conversa no ônibus, de preferência com um velho (idoso), mas se ele estiver ouvindo ‘’ 05:00hs da manhã, você quer ligar pra um boi, escolheu a operadora, claro, vivo, TIM e oi.’’ (pagode) Simplesmente atire nele ¬¬  

segunda-feira, 30 de maio de 2011

identidades



Você: Eu nunca deito e durmo. Sempre fico pensando na vida antes de dormir.
 Eu: Eu nunca deito e durmo. Sempre fico com uma puta insônia antes de dormir.

A vida é o que é :D sorria!

Frio



‘’Cheirinho de frio’’
Por: Junior Nodachi

Sabe aquele cheirinho de frio, aquele que você sente quando acorda e ta tudo cinza? Aquele que entra pelo seu canal nasal e atravessa seu corpo todo até voltar para o externo? Éh...  eu sei. Eu sinto, eu gosto de cada respirada profunda e inebriante desse gás letal.

Um cheirinho de frio ao longe, que vai se aproximando em formato onda, e te da um banho forte e cruel. Que bate em tua alma, que te faz tremer, que te faz sorrir, que te faz esquecer, que te faz não pensar, que te faz querer eternizar o cheirinho de frio.  

O mesmo cheirinho de frio que tomba em você quando você anda, sem pedir licença, sem pedir permissão, 
sem se importar. Um cheirinho leve e calmo, diria até doce, que se torna a ventania mais intensa, e enérgica, que te faz pensar em que merda esta acontecendo.

Mas logo o cheirinho de frio passa, é roubado pelo cheiro estragado do sol, o cheiro adorado e popularizado, o cheiro acomodado e imutável do sol. O cheiro capaz de apagar toda magia do cheirinho do frio.

Ele não vem como uma onda. Ele vem como pedras. Estragando meu momento, meu instante frio. Mostrando que ele é o dono do pedaço, e que no frio ele manda. Que ele é mais poderoso. Que ele é mais popular. Que ele é mais atrativo. Que ele é mais bonito. Que ele é mais adorado e respeitado do que meu momento geladinho.

Quando você tentar pegar o ultimo resquício de frio, telo nos braços até sentir ele em seu corpo baixar a temperatura, ele se disperse, se espalha, tomado pelo cheiro quente e inebriante do sol. Por que é o sol, sempre vai ser o sol, nada pode deixar a orbita sol, se iguala ao sol, ser um astro rei perto dele.
- E agora? E o frio? E minha neblina?
- E agora? Serio? Você quer realmente saber?
- Sim, quero saber!
- E agora nada. E fim de papo.

Egoísmo




''O egoísta''
Por: Junior Nodachi

Perdi quatro amigos em uma noite. E pelo ciclo do caos serão mais, mais e mais. É como uma droga limpa. Um prazer único, inigualável. Eu nunca tive tão vivo.  Singin’in the rain. Eu sou um musical da Broadway ao vivo. Eu to puto alegria. Dia orgástico. Nem o café eu quis.

Eu queria escrever mais. Mas eu perdi quatro amigos. Restam-me dois e meio, seria triste perde-los também.
E posso levar um tiro. Eu sou paranóico com essas coisas.  O que faz as pessoas tristes? Não sei. Mas isso me deixa extremamente alegre. Eu sou um verme.

- Você é um filho da puta desgraçado e egoísta!
Eu já ouvi isso tantas vezes que perdi a conta. Só hoje foram cinco. rs.

‘’ É a vida. Você tem que entrar lá e não parar. Merdas estão esperando pra acontecer, cara. E se você não vai fazer nenhuma, você é um cagão patético. ’’. - James Cook

Soneca foi legal em me falar isso, fez meu vicio ir aos limites do inesgotável.
Se eu morrer. Eu queria essa frase na minha lapide, falamos disso. 24hs arrependido e 24 horas em esctasy. O que vem depois? Alguém sabe? Só sei que vêm 24 horas.

Não seja meu amigo! Não seja! Eu vou lhe machucar. É sempre assim, quando eu gosto demais de alguém eu me distancio, eu sumo. Eu não posso amar. Eu não posso ser amado. A verdade é que pode ser medo. Sempre tenho medo.

Eu posso fuder sua vida só pra ter o que escrever em meu blog falido e impopular. Éh, eu sou egoísta. O mais vil e nocivo egoísta. Por mais que eu pense em você, eu estarei pensando em mim. É como injetar morfina e adrenalina no seu corpo. Afeto e egoísmo. Alternadamente. Sem fim. Eu sou assim. 

A pior parte é que amo as pessoas, amo muito todos, uns mais, outros menos, mas amo. Eu não queria deixar elas tristes, eu não queria ver elas tristes. Mas o egoísmo me consome, me abraça, me bota no colo, me faz sentir o calor do abraço apertado numa noite fria. Faz-me sentir seguro e quentinho.
Por isso evito. Não tento.  Finjo. Minto.  Mas se eu fizer, foi por uma causa nobre. Provavelmente por uma noite de sono dos anjos. 

Magoei pessoas. Mas elas me magoaram também.
Eu preciso de alguém pra me fazer saber a diferença do real e do que eu invento. Alguém que me puxe e diga: ‘’Ôh! Acorda ai filho da puta! Não é bem assim não. ’’
Mas como sempre, eu sou egoísta.

Ecstasy


Ecstasy
Por: Junior Nodachi

Sorrir. Um estado único. Nirvana. Um estado único. Se sentir perfeito como se tudo fosse perfeito, como se tudo fosse real, e ao mesmo tempo um sonho.
Meu prazer deriva de coisas erradas. Nunca fui o bunitinho, nem o mais esperto, sempre fui o mais idiota, o mais observador. o mais medroso.
 
‘’ Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de amor...’’

É como o titãs fala: ‘’Foda-se!’’ Só que de forma carinhosa e romântica.
Sabe quando você acorda sem que o despertador toque, e você fica olhando pra ele tocar, esperando ele tocar, esperando ele só tocar, como se não existisse mais nada além do toque do despertador? Eu acordei assim. Sentir-me ótimo, eu tinha um estranho sorriso. Clichê.

Sonhei. Tem gente que não sonha. Queria que elas sonhassem.
Dormi. Tem gente que não dorme. Eu queria dormir mais.

sabe o dia quando você levanta e não recita seus objetivos de vida? Que você menospreza sua existência, e passa a simplesmente existir? A viver?
Definitivamente a segunda melhor noite do ano. Definitivamente a segunda noite mais alegre do ano. Tenho medo de falar da primeira e ser processado.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Arrepender




"Humanos não são mamíferos. Mamíferos vivem em harmonia com a natureza. Humanos escolhem um lugar pra viver e se multiplicam destruindo tudo até não sobrar nada. Depois, têm que procurar outro lugar pra viver. Sabe que outra espécie vive assim? Vírus!"
Eu poderia até dizer que isso é meu, que escrevi e que são minhas mãos doídas que bateram e bateram no teclado até sair essa definição artisticamente sublime. Mas não são. Roubei isso de um filme, quase sempre faço isso. Não tenho muita coisa própria, digo que ‘’minhas coisas próprias são apropriações indevidas’’. Isso sim e meu. 

O problema é que não sou bom com palavras minhas, coisas não testadas, coisas que não foram garantidas pelo Inmetro. Sabe aquela coisa que você deveria falar mais não fala? Sabe? Isso sou eu. ’’ Eu sou as palavras vazias de Jack’’. Isso foi roubado. De um filme também, roubo muita coisa deles. Penso que se perdi um tempo assistindo, posso tirar pelo menos uma frase.

‘’Arrependimento’’
Por: Junior Nodachi

Sabe quando a gente se arrepende de uma coisa? Então, isso sempre acontece comigo. Não que seja um arrependimento complexo e murmurante que vai se transformar em um câncer mental e letal. É só um arrependimento simples.

Tipo esse fim de semana. Planejei a semana toda em ficar bêbado no sábado e no domingo, queria passar os dias falando besteira, tendo coragem, caindo, e cantando. As coisas não são bem assim. O ato de ’’ficar bêbado’’ pra mim é mais importante do que o ato de beber. Eu consigo ficar bêbado sem beber, eu consigo beber sem ficar bêbado, é algo sem graça e simples. Você direciona toda sua alegria e falta de vergonha pra uma garrafa e a bebi, achando que tudo isso vai descer a sua goela e te tornar uma pessoa que você não é. Uma pessoa descartável.  Assim você cria personagens atribuídos à bebida. Uma pessoa mais forte se quiser, com mais atitude, mais tímida, mais extrovertida, mais lerda. Eu opto pela mais corajosa, pois tenho certo medo das coisas darem errado, ou darem certo demais, gosto das coisas equilibradas. Quando as pessoas bebem, bebem pra libertar seus demônios. Eu bebo pra prendê-los.

Já repararam como o barulho da impressora imprimindo um papel é lindo, parece uma sintonia punk, não é um exagero por completo, é a forma da maquina fazer sua parte, sua arte, seu som. Eu gosto de reparar essas coisas, assim como o arrependimento, que vem depois daquela coisa falada, respondida, escrita e como vai ser quando eu postar isso. Você sabe que ele vai vim, e esperar pacientemente que ele venha, lhe abrace e lhe consuma. Mas também sabe que ele passa, e tudo depois vai pro grande monte de besteiras feitas.

Arrependimento é tão nobre e tão bom quanto o amor, quanto o ódio, quanto à raiva. Eu tento sentir todos, do mais ínfimo até o mais espalhafatoso. Tentei também ser frio, sem sentimentos, impiedoso. Confesso, é ótimo, quase perfeito, tirando pelo fato de que endorfina não vai ser mais fabricada em você, pelo menos não numa quantidade agradável, e tudo vai ficar cada vez mais chato, monótono, repetitivo, cansativo e sem graça.

Arrepender-me das coisas me faz fazer coisas melhores, sempre melhores. Ninguém se arrepende se de se arrepender, pelo menos eu não conheço ninguém assim. Eu conheço pessoas que não se arrependem de nada, que fazem e fazem, que não ligam, não olham pra trás, não duvidam, não temem. Mas que vantagem se ganha nisso? Eu não sei. E eu já fui assim. Eu simplesmente não ligava, pra falar a verdade, eu ainda ligo bem pouco. Também não estou falando de dramatização, choradeira, rios de lagrimas, horas sem dormir, raiva nos olhos, dentes serrados, travesseiros espancados, canetas mordidas e punhos apertados. É só arrependimento, a sensação de não ter feito do jeito que deveria ter feito. Mas o mal do século é outro. Dizem ser outro, eu não lembro qual é. Mas lembro que pra todo arrependimento tem um dia novinho e igualzinho pra tentar fazer tudo errado de novo. Pois é errando que se erra mais.

Eu realmente vou me arrepender de ter escrito isso. Mas eu sou assim, e adoro ser um egoísta nato, mas estou começando a sentir, sentir umas coisas legais, coisas novas. Ainda tenho quatro dedos de bebida na garrafa. Ela esta ali, parada. Lembrando-me do momento de sua compra, me lembrando dos bons momentos que ela causou, das boas situações, e das más também. Mas paro e penso, se eu beber agora...  Já é tarde, amanhã eu tenho trabalho, posso me arrepender disso.   

domingo, 22 de maio de 2011

Infância




Tudo começa com uma partícula. Uma tediosa e solitária partícula, que encontra outra tediosa e solitária partícula, que por vez vão da origem a varias outras tediosas e solitárias partículas. Assim é com o as coisas, com o universo, com os humanos, com os zumbis e com fãs do Legião Urbana. Tudo vem do ‘’um’’ pra se tornar um ‘’um’’ maior.

 ‘’21:43’’
Por: Junior Nodachi

Um belo dia eu acordei e percebi que estava velho.  Eu estava com um olhar cansado, à barba por fazer, sobrancelhas largas, cabelo pinicado, barriga, uma dor insuportável nas costas, e uma vontade imensa de ficar muito bêbado. Tudo muito estranho, diga-se de passagem. Reparei que não tinha mais colégio, e que nem estava comemorando por isso. Que sabia tocar guitarra e tirar manobrinhas no skate. Ahh, já ia esquecendo. Sabia também uma infinidade de palavrões. Reparei que estava pensando em outras pessoas alem de mim, fiquei confuso. Eu era egoísta e infantil ontem, que odiava perder, que não tava nem ai pra nada além de Age of Empires II. Como eu poderia pensar em outro ser? Foda-se o outro ser, eu pensei. Esse corpo nem é meu mesmo. Ou será que seria? Eu poderia ter ficado tão baixo? Eu era o mais alto da minha sala ontem.
 
Droga! Mas que droga! Há horas que procuro o álbum do Pokémon e não encontro. Falei com minha mãe, e ela ta velha e gordinha. Ela me falou que eu não ligo mais pra isso, que tava ficando idiota, pois já tinha jogado isso fora há anos. MAS QUE ANOS POHHA?! Eu não sei que anos foram esses.

Como posso viver sem andar de bicicleta, empinar pipa, me equilibrar no meio fio, brincar com meu gato, subir no muro, correr na chuva, jogar bola, brincar com meus carrinhos. Também não achei meus carrinhos!
De onde vêm tantos números, tantos livros, tantas fotos? Onde eu fiquei esse tempo todo?
Eu olho para a parede e lembro-me de momentos que não eram meus, como um filme, como uma história que meus avos nunca me contaram.

Acabei de descobrir que celulares tiram fotos, passam musica, fazem suco e cuidam de crianças. O mundo mudou do dia para noite. Sempre tive a vontade de viajar no tempo, mas não achei que seria possível, e que seria tão confuso. Acabei de descobrir também que o ‘’eu mais velho’’ não viajaria no tempo de forma alguma, pois ele gosta de errar e se fuder, que ele gosta de pessoas que não fazem a diferença, de coisas que não fazem diferença, de detalhes que não fazem sentido. Como eu pude me tornar isso? Cadê as regras do death note ‘’vida’’ que eu fiz? Eu me tornei fraco. Se me baterem eu sangro.

Eu sou estressado. Como isso acontece? Uma criança estressada? É possível? Cadê meu vídeo game? Minhas fitas VHS? Eu desgostei do futebol. Como assim ‘’desgostei’’? Eu vou a todos os jogos, eu invadi o campo com meu pai semana passada. Meu time acabou de perder o campeonato e a única coisa que fiz quando soube foi da um sorriso e voltar a fazer o que estava fazendo.

Eu só não queria ser um pedaço de carne errante e desgovernado. Mas acabei sendo.

OHH GOD!!! Quem apagou meu Age of Empires?!!!!!!