sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Tédio

Hoje, como um dia qualquer, o escritor iria redigir mais um texto. Entretanto algo lhe mordeu e o envenenou. A substância corria seu corpo até ele desabar em um coma profundo de tédio por saudade de coisas que não existiram. E assim ele ficaria até o beijo da menina de batom vermelho ele reencontrar.


quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Dia das crianças


''Meu acontecimento inusitado do dia das crianças encapetadas''
Por: Eu mesmo

O dito cujo que vos escreve entra em casa depois de uma tarde exaustiva de cachaça skate park. Sua mãe depois de um tempo lhe dirige um olhar de decepção e fala:
- Já tirou aquele 50-50?
  O filho embasbacado, sem reação, diz:
- Sim e não, velha. Só ta faltando a saída  (O.O)
Ela se retira do quarto... E em seguida ele pensa:
*JESUS CRISTO!!! QUE DIABOS FOI ISSO?*

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Infantil







‘’ Memórias póstumas da infância’’
Por: Junior Nodachi

Um problema mais que antigo se abate incessantemente sobre nós. Sobre nossas cabeças escaldadas pelo sol está a infância perdida ou desfrutada, contra a frieza nudez da velhice, do adulto. ‘’Maduro como um mamão’’ seria o que minha avó me diria se eu tivesse uma pra me dizer. Assim como a bala de maçã verde, que não é mais verde.  Estão todos procurando cores novas, definições novas para um assunto velho – cresça menino, você é tão infantil – paralisado no tempo. Talvez pela dificuldade instalada no córtex de cada um, ou pela avalanche de abomináveis e execráveis humanos revelados por abalos nas camadas mais fundas da sociedade. A infância tão ‘’preservada’’ e protegida a sete chaves, sete não, 189 chaves de quatro pontas forjadas a laser. A infância protegida que cada sociólogo, intelectual, ator, e participante do BBB, esbravejam ao mundo, morreu.

Diante de tal noticia, a sociedade permanece parada e perplexa. Uma pergunta paira no ar, como o cheiro da vergonha que exala de entre seus braços suados. ‘’Onde poderemos depositar nossas justificativas para os atos inconseqüentes e inapropriados que fazemos?’’ O fato póstumo a morte da infância é o atordoamento. Milhares de jovens promessas, milhares de jovens ídolos, dançarinos da internet, lendas dos jogos, trabalhadores frustrados, crianças de cara borrada, cabelos lisos, músicos. Todos nas ruas, andando como em uma realidade pós- apocalíptica e sem vida.
Situações diárias se tornam pactos de conduta indiferente. Um garoto correndo atrás de uma bola roxa por uma rua, rindo e saltitando é logo repreendido – garoto desenvolva!!! A infância morreu. Você não sabe disso? – e logo ele pega a sua bola roxa e a fura numa grade de portão, rege uma expressão mortificada e segue a procura de algo realmente relevante pra sua vida.

A caminhada segue, o luto passa. Enfim a infância é esquecida. Nada se torna divertido, a rotina se torna a maior demonstração de prazer. Prazer? Sim, ora. Mesmo tendo sucumbido junto da infância o prazer renasceu, remodelado, é claro. Cabelos penteados pra trás, roupas neutras, uma menina sem batom vermelho, olhos sempre alertas e uma perfeição em cada movimento. Seja em ir ao mercado comprar item uteis para alimentação, ou em fazer sexo como o melhor parceiro genético, tendo em vista a passagem dos melhores genes para as próximas gerações.

Não existem mais perguntas bobas e sem nexo como; ‘’O que você vai ser quando crescer?’’ Eles já são grandes e formados, desde o momento de sua concepção, um espermatozóide maduro e cheio de si, que já nasce preocupado com o estereótipo que deverá seguir. Maquiadas e prontas pra matar, limpinhos e calculistas. Sozinho só a lama do quintal, os animais da fazenda e os velhos loucos que não aceitam o fim trágico do seu bem mais precioso.

Para eles, esses velhos loucos. Só resta a frase pertinente de seus netos; ‘’cresça meu avô, cresça e sinta a magia do Ser adulto, antes que o senhor morra como uma criança que não viveu.’’  

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Confiança




‘’Confiança‘’
Por: Junior Nodachi


Raspar uma fina camada cinza em cima de um pequeno pedaço de papel com uma moeda. Acordar achando que o dia pode trazer coisas sempre melhores. Saber que você vai vencer uma corrida antes mesmo de chegar ao autódromo. Brigar com o cara mais forte da turma sendo magricela e patético. Gostar da linda menina problemática que tinha um ex-namorado deslumbrante. Marchar de cabeça erguida para guerra sem ao menos ter munição em sua arma. Tudo isso no ver das pessoas é velho, inadequado e completamente ‘’not cool’’.

Não entendo se as tempestades estão cada vez mais fortes, ou os filhos estão cada vez mais fracos. Percebo aos poucos que tudo que eu admiro acaba ruindo. Hoje em dia é lindo ser ‘’nerd’’, usar óculos velhos na cara e andar com as mãos cheias de livros. O que antes era motivo de perseguição, ’’bullyin’’ e chacota. Hoje é ‘’fashion’’. Beber até cair, tocar fogo em algo, pinchar, protestar, brigar, xingar, escrever seu nome no muro com mijo, caçar e correr, tudo isso acabou. Os ’’revolts’’, os baderneiros, os boa gente, os garotos de famílias foram abduzidos, levados e trocados por plastificados ‘’high techs’’ afeminados e masculinizados. Rostos parecidos, olhares iguais, mentalidade conjunta e alienada. Até os que falam disso, como o Ser escritor que vos escreve, se torna mais uma mancha pra sociedade.

A confiança antes admirada, idolatrada, pelos jovens, adultos e velhos foi posta de lado, trocada, por uma solidão tão vil e cruel. Sentimentos como; dor, sofrimento e medo se tornaram o ‘’top’’ do mundo ‘’poser’’. Sim, como pude esquecer-me dos ‘’poser’s’’, seja lá o que forem que não são. Pessoas que incorporam nossas realidades, copias de copias sem direção, como costumo citar. É seu filho, seu pai, sua mãe, seu namorado, a menina do batom vermelho, são todos. E a confiança no seu ser? E a sua permanecia como humano heterogêneo, que é julgado pelo caráter e pela sua coragem? Sim ela é magricela – Eu respondo – ela é o adjetivo usurpado por palavras estrangeiras. Ela passa fome, ela sente dor, mas ela sabe, ela sabe que ela pode vencer tudo isso, pois enquanto uma pessoa lhe alimentar, ela vai se tornar forte e grande. Por mais ínfima e magricela que ela seja, preserva mais coragem que todos vocês.