terça-feira, 29 de maio de 2012

O mentiroso e o sobrinho do prefeito




- Mentiroso de uma figa! Pare de dizer por ai que sou sobrinho do prefeito.
- Entenda meu amigo, esse é um charme a mais, lide com isso.
- Como vou lidar com um isso, moço?
- E sou eu que sei pegador? Se vira.

O dia não estava claro, não tinha pássaros cantando, nem mulheres andando em câmera lenta de cabelo ao vento. Estava tudo um caos.
Pedro estava lá, em pé, seduzindo uma medica. Seus braços pairavam de forma poética e melancólica, como um poema de Freddie mercury. Como Pedro sempre dizia:  -''tire essas mãos dos bolsos! Você tem que ser sedutor, engraçado e gentil''.

Sua fama já corria por toda parte, mulheres se jogavam as seus pés, homens o imitavam, nada mais podia apagar sua brilhante imagem de garanhão sedutor. Seu celular não parava de tocar, ele não tinha um minuto de sossego, dava até aulas de sedução. Todo dia bem cedinho, na sala 217. Era sem erro, lá estava ele, de costas para o quadro gesticulando. Nas cadeiras estavam eles e também estavam elas.

Ele era inteligente e atleta, profissional e de lábia forte. Andava com uns pobres coitados que tentavam por Modus Ponens absorver um pouco da sua magia.

Eu particularmente nunca o vi perder uma mulher, era certo, um olhar e lá estava ela, seduzida e encantada. Não importava se ela era contra casamento, malvada, difícil, uma olhadela e ela já era.

Marcia.
Maria.
Joana.
Sandra.
Tais.
Carla.
Silvia.
Cida.
Renata.
Fernanda.
Erica.
Já falei Marcia?

- Cara que relógio de rico, véi!
- Foi meu tio que me deu.
- Pohha, ele deve ser ricão!
- Não moço, ele é politico.
- O prefeito da tua cidade?
- Não rapaz.
- ETA POHHA, OLHA O RELOGIO DE PEDRO!!!
- Ohh véi, para com isso.
- FOI O TIO DELE PREFEITO QUE DEU!!!
- Óh que bicho mentiroso, véi;

Momentos depois já estava na boca do povo, o sobrinho do prefeito, um partidão, um pão.

Nós a amamos





Essa mulher é um saco! Casar por qual motivo? Meus amigos me falaram a verdade, pois a cerveja é sempre melhor que a garrafa, se é que você pode me entender. Como vou explicar isso de uma forma que sua cabeça pequena e cheia de mediocridades consiga entender. - Minha mulher é um saco. - Ela anda falando que eu sou um cara estupido, largado, preguiçoso, disse até que a magia acabou. Eu ando me perguntando que magia? A das pernas dela, só pode. Ali sim é magica, ou era. Hoje ela é um saco.
 
 Eu não vou ver seu ponto de vista Fulana. Cadê minha Boa?... Eu? Ta louca mulher? Nunca lhe tirei da sua família, eles que não aguentavam essa sua cabeça... Sua mãe é sim uma vaca! E você sempre será a vaquinha filha dela... Jogou fora!?... Você que correu atrás de mim... Faz essa criança parar de chorar Fulana, a quem essa criatura puxou... Leite? E você num já vem com leite de fabrica.... Tá, eu trago o leite... Vou ali comprar cigarros e já volto...



sábado, 12 de maio de 2012

O velho Negro




Por: Junior Nodachi

O dia insistia em nascer, insistia em nascer cheio de sol, cheio de carros engarrafados, cheio de pessoas brincado de serem felizes. Nascia para mim, pra você e nascia também para Seu José.
Seu José era um velho, velho e negro, preto como pássaro preto. Seu José não gostava muito de ser chamado pelo que não  era, ou ser visto como não era. Ele sempre repetia para quem tivesse ouvidos para ouvir – Sou preto, preto como o peito do pé de Pedro, que também é preto. – Reclamando de cima pra baixo e de baixo pra cima, lá ia ele na terça-feira ensolarada que insistia em nascer.  Odiava ir ao medico, pensava em morte toda vez que subia aqueles quatro andares no elevador lotado de pessoas apressadas. ‘’Mas deixa ser como será’’, repetia depois do grande suspiro de sempre e entreva.
Pegou a ficha 79, sendo que ainda chamavam a 36, mas pra quem já viveu 84 anos de pura lábia, e de ter tirado todo proveito dela possível, ficaria satisfeito por uma cadeira no corredor, sabe como é perna de velho.
Esperavam dois do lado dele, em pé. Um era magro alto e negro, assim como Seu José, no entanto bem novinho. E o outro era baixinho e barbudo, mas com olhos nervosos,  que iam de um bolo de papel que segurava, para um giro completo pela sala de espera, e retornava na mesma velocidade para o bolo novamente.
E assim, com o clima de um lugar frio no dia ensolarado que insista em nascer, Seu José começava a prosear.
     - Eu lembro bem dessa minha época de negro safado, na minha cabeça é como se tudo fosse ontem. Pense num cabra namorador, só no meu bairro eu tinha quatro, pense num negro charmoso. Charmoso e cheio do dinheiro. Naquela época eu fazia de tudo, não é que nem hoje não, tudo cheio de não me toques, era serviço de homem valente. Sempre morei aqui, desde quando posso me recordar, rodei o país todo, mas sempre acabava voltando, era o mar que me puxa, ou então eram as sereias, eu nem sei ao certo, era tanta sereia. Vocês que estão novos bem sabem do que tô falando, pescar uma sereia nesse marzão não tem nada melhor, to errado? Não tô. Pena que a vara de pesca do Vei já tá aposentada, mas o tempo era bom. Era três nessa época, uma aqui na cidade, uma em outro estado e uma terceira, daqui também. Era tudo muito bom, problema mesmo só veio aparecer na quarta em diante. Falaram-me uma vez que era crime, mas crime seria deixar elas pros outros, um negro pintoso desse na época, todas queriam. Já brigaram muito por mim, sabia? Um dançarino pé de valsa. Quer dizer, valsa não, samba. Um dançarino pé de samba, cheiroso e cheio do dinheiro, chega os bolsos ficavam estufados  com o volume saliente do monte. É assim meu filho, pra ter mulher num basta ser um negro charmoso como eu, tem  que ser cheio do dinheiro também. O Seu Sargento que falou isso pra mim na época que eu servia. Antes deu morrer e visitar o diabo, não gostei de lá, ai revive de novo. O diabo era miserável demais, mão de vacaaaa..... O problema são as paraibanas, não invente não, conheci uma vez, ela sentiu o cheiro do negro e não resistiu. Ai tive que casar, a família era muito brava, cadê a modernidade quando a gente precisa? Ai ficou nisso. Quando voltei pra minha terra trouxe ela. Mas não deixei minhas negas cheirosas atoa, toda sexta a noite era de samba, e de samba ela foi por mais uns trinta anos. No começo ela reclamava, brigava, um dia até faça tentou me meter. Sabe como é mulher paraibana, tudo virada no diado. Hoje ela já foi, foi de volta do pro Seu Diabo, sou viúvo, um viúvo negro e cheiro. Lembro é da época que comprei minha casa com cinco Cruzados. E era muito, o salario do peão era 2,75, lembro como se fosse hoje. Mas isso hoje nem um quilo de farinha compra, naquela comprava quatro sacas.
- Número 79... Número 79.
- Eu já vou é indo, vê se dessa vez eu morro de vez, e vocês vão pegar as sereias de vocês, agora sem brigar, o que num falta é mulher nesse mundão. Tem de todo tipo e toda cor. Agora um conselho bom: tenham logo uma de cada, pra não enjoar, é mais fácil assim, eu tive muito de um tipo só, agora o negro tá velho e as negras tão velhas, e os negrinhos novos que tem que continuar a história.