domingo, 10 de junho de 2012

Primeira pessoa do singular



Hoje ele acordou meio como sempre, meio como novo, meio com sono mesmo... Ele não, eu.
Tá, modelo antigo.
Hoje eu acordei meio como sempre, meio como um novo, meio com um sono da porra mesmo. E o que eu posso fazer? Quando se dorme tarde se acorda cedo, é um reverso inverso.
Sabe quando a gente olha no espelho de manhã e vê aquele cabelo pra cima, os olhinhos bem apertados, a boca seca, as bochechas inchadas ainda pelo travesseiro duro? Eu sei também, é o máximo. Minha mão rela na barba igual a do Wolverine. Sim, ela é igual a do Wolverine, e eu não vou tirar! Mas não nego que sempre penso em tirar tudo, mas já tá quase na hora deu ir aula, ia da muito trabalho, então deixa assim.
A calça é azul pra variar, ontem foi cinza, mas sujou de lama, não sei de onde veio lama nesse sol infernal que faz em Salvador. Enquanto isso no jornal ainda passa revolta, desastre, mortes e gols do Neto Baiano. O tênis ainda está macio, e é como ele, esse velho e perto All Star preto da estrelinha que vai o caminho todo fazendo ‘’chilep, chilep’’ pelas ladeiras.
Como sempre ao passar pela ponte, vindo da Cardeal, olho o relógio e o termômetro que fica lá embaixo, e penso na miséria que é tá calça nessa bagaceira de 32°C. Pelo menos atrasado eu não estou, ainda faltam três horas para aula. O que me confortar é saber que ao chegar eu vou sentar na minha sala e ligar o ar condicionado no máximo. Na verdade a sala nem é minha, tenho que esperar mais uns anos pelo usucapião, ai sim, serei dono da sala 120 do primeiro andar do paf I, ali sim é meu lugar, a 121 também em agrada bastante, mas não vem ao caso. E lá eu fico, hora estudando, hora jogando poker com Fred Mercury, quando ele aparece.
E de lá eu subo, claro que antes tenho que encher a garrafa de água. Sim, eu sou viciado em água, é uma droga desgraçada. Ser for uma terça-feira ou quinta, tenho que ir a química comprar amendoim, se não o sono vem, e eu durmo na aula depois do almoço.
O almoço é uma maravilha, 2,50$, achei bem em conta, a fila eu sempre que posso corto, o povo da Info é gente boa, ou então é algum brother que já cortou mais na frente. Mas o grande problema é que esse restaurante tem muita gente, e é quente, o nosso tá em reforma, eu adorava ele, a Tia me dava mais comida lá. Opa! Hoje tem pudim!
Depois do almoço, dependendo do dia, deitar na grama é uma boa, ou voltar pra 120 jogar poker, ou ir ao laboratório ficar na internet.  Estuda que é bom, nada!
E assim aula começa e aula acaba, sobe andar, desce andar. Opa! A guria do corredor, ai é papo garantido, dizem que farmácia é o canal. O papo foi curto dessa vez, eu não tô achando muita graça nas coisas nos últimos tempos não, por mais que eu procure, corra atrás, conheço gente, está tudo muito chato, mano.
E assim dá a hora de voltar pra casa, espero meus companheiros de subida, mas só vamos até a escada de arquitetura, de lá a diante é um pro norte outro pro sul. Cara e pensar que eu fui roubado aqui na bosta dessa saída. Que se foda, não é a primeira vez e o celular de Nadson era difícil de mexer.
Comprar o pão é de lei, igual a um pai de família, e hoje tem que comprar leite também. O primeiro portão tá uma merda, vou ver se boto um óleo nesse cadeado depois, ou espero pelos vizinhos botar, vou pensar. O cara que divide a casa comigo, deixa a casa toda escura, se tranca no quarto com um fone e vive lá, no twitter, só pode. Nestante levanta falando pra nós ir comprar alguma coisa.
E num é que foi dito e certo, aqui tou eu descendo pra Vasco, pra ir no extra comprar o que comer. No Extra é o Extra, mercado e tal, de bom só cerveja. Ahh, na primeira semana teve um fato legal, vou contar: Estava eu nos corredores da vida, conheci uma guria, papo vai papo vem, marcamos de sair, quando ela perguntou pra onde, eu responde de bate-pronto, ‘’vamos pro Extra, ora’’, pensando bem a história escrita nem é tão engraçada, mas na hora foi. Ai Alan deu uma tapa nas costas dizendo: - Vai char pro Extra é? Chama pro shopping rapaz, pro cinema.  -  Eu acabei nem chamando pra lugar nenhum, não quer ir pro Extra, não merece minha atenção, o Extra é o canal, rapaz.
Massa garrafinha nova, e eu vô beber pra esquecer meus problemas ‘’bebe negão’’. São agora vinte e três garrafas de vinte tipos diferentes de cerveja, eu até tenho uma conta no Brejas.com.
A pior parte de chegar é ir limpar o banheiro, completamente sujo e cheio de cabelo, quer dizer, cabelo é o que não fata nessa casa, meu colega de casa, tem uma arvore na cabeça. Cada vento que bate, voa cabelo pra tudo quanto é lado.
Sim, agora eu vou pro Facebook. Cerveja, salgadinho, internet, rapaz, nada mal pra começar a noite. Eu tô particularmente em estagio de pré-vicio nessa merda, mas vou da um tempo essa semana que tenho que estudar G.A., e G.A. é barril. Mas tá normal, mal consigo ver o que o povo posta, a velocidade da timerline tá muito rápida novamente, bando de viciado do caralho. Eu até casei, quer dizer, vou casar, fiz o pedido pelo chat, típico de um aluno de C.C. sem vida. (bando de cafajeste), Relaxem que os chamarei pra festa. E já tá é tarde novamente e nem estudei L.P., na moral eu tô um vagal.
E aqui tou eu, escrevendo o pôster da semana.  (acabei de ter uma ideia boa, no próximo pôster eu posto). Enfim, fim.
Away!   

sábado, 9 de junho de 2012

Piriguete




Piri, piri, piri, piriguete.
Eu quero ser é uma piriguete. Tá na moda, é sexy, rasteiro.
Não sei se fico com o Carlos ou o João, Antônio, Ricardo ou Mario. Todos eles são um ‘’tudo’’, um faz judô, o outro tem três motos, um vai ser Dr. Advogado o outro é meio ladrão. Ai que tesão, ai que tesão! Escolho shortinho ou vou de minissaia? Ai que indecisão! Minha amiga nem me ajuda, só saber dizer palavras repetidas, por que deve ser burra, eu falo, falo e ela só diz: ‘’ Ai amiga, que chato isso. ’’

Ai amiga, que chato isso. Mas não liga não, logo passa e ele volta, olha minha unha enquanto isso. Fiz lá na Ivete. Fiz unha, cabelo, massagem e depilação, tou zerada, seminova, uma capeta safada! Devassa!
Devassa! Além da cerveja do tipo pilsen, apelidada de Devassa Loura existem também a Devassa Ruiva, cervaja avermelhada que se aproxima do estilo das pale ale. A Devassa Negra, uma dark ale escura. A Devassa Índia, uma espécie de pale ale britânica e a Devassa Sarará um chope tipo Weiss.

Weiss era apelido de Wesley, sabe como é essa coisa de mãe, não aguenta ver um nome com ‘’w’’ ou ‘’y’’ que já quer botar na criança. Mas não tenho nada do que reclamar não, já peguei muita mulher por causa dele. A ultima mesmo foi a Jennifer, ahh, Jennifer, safada! Me deu uma surra, se é que você me entende. Cansado eu até tô, trabalhei a semana toda, mas foi pagamento hoje e vou investir a grana do mês na Jennifer, soube que até vai rolar uma amiga, até pensei em um amigo, mas dividir não é minha praia. Êpa! Olha elas ai, com essas pernas de fora, piri, piri, piri, piriguete.

Amigo é pra essas coisas.




- Velho, larga de ser ciumento antes que ela largue você por ser pau no cu.
- Mas ela tava saindo com ele de novo, eu vi, liguei pra ela e ela disse que ia sair com ele!
- Cara, larga a mão de ser retardado, se ela tá com você, ela tá com você.
- Mas eu num confio naquele cara, ele tá querendo pegar ela.
- Óh véi, faz o que tu queres, pois é tudo da lei... da lei... Muhahaha!
- Você é todo assim, só levar na brincadeira, queria ver você no meu lugar!
- E você sabe que se eu não posso tá no seu lugar?
- Mas tu nem tá namorando, e a que estava te rodeando tu fez alguma coisa pra ela sumir.
- E dai?
- Tu vai acabar é sozinho se ficar fazendo isso.
- Tem nada não, meus planos vão além, e você sabe disso.
- Cara, você não andava de mão dada com ela, não chamava ela pra sair, não ia a casa dela, nem sentava perto dela na sala. Se eu fosse ela eu iria embora também.
- E se eu fosse sua namorada... Muhahaha, eu num sei, eu num seria. Você é muito chato.
- Ahh, legal é fingi pra ela que tá estudando enquanto joga Assassin’s Creed, né?
- Assassin’s Creed é de fuder, lave a boca pra falar da porra do meu jogo! A conversa não era sobre o fato de você ser ciumento com a porra da Ruiva, véi!?
- Mas isso não muda nada.
- Você pede pras pessoas te mandarem sms pra dizer onde ela tá, espera ele na saída do restaurante, na saída da aula, quer conhecer todos os amigos, aonde vai tem que levar ela e ela tem que te levar. Esse celular não para de tocar, e você quer que ela ainda não reclame? Na moral, você é pau no cu.
- Pau no cu é você!
- Eu sou pau no cu sim, tenho a mulher que eu amo, moro num apartamento maneiro, tenho carro, tenho mais de 1,80, almoço em biologia, sou branco, e tenho ciúmes da desgraça da minha namorada.
- La vem ele com esse sarcasmos do House. ’’ Ui, eu sou o House, sou mal humorado’’, tira esse óculos preto do olho rapaz, Susasusasusasua.
- MUAHAHAHHAHAHA
- Hsuahsuhasuhaus
- Eu vô é embora, vê se sai de cima dessa arvore que ela já passou.
- Já passou? Você viu foi?
- Passou antes de você chegar, eu tava sentado aqui na grama.
- Pohha e você nem me fala nada!?
- É que eu tô pegando ela... Muhahaha. É ideia, calma, controle, respira, inspira, respira, inspira.
- Porra véi, ela pegou aquele ônibus lotado cheio de macho!
-Machos negros, suados e fedendo, do jeito que ela gosta.
- Seu filho da puta!
- São seus olhos, meu bem.
- Colé man!
- Me da uma carona?
- Eu vô passar na casa dela agora.
- Vô de pé então. CUIMENTO DA DESGRAÇA DESTRUIDOR DE CARONAS! 

sábado, 2 de junho de 2012

O menino motorista








O menino nem sabia o que era a vida, não tinha expandindo a visão além da janela da casa branca, não estava claro ainda para seus olhinhos pretos verem, mas lá estava ele com uma tampa de panela na mão, dirigindo e dirigindo. A mãe perguntava vezes sim, vezes não, o que ele estava dirigindo. E a mesma resposta ela ouvia numa voz seria, pois ele era serio, era motorista de ônibus.



Andando de cima pra baixo no quintal e fazendo a volta no portão da frente, assim eram as noites do menino motorista, claro que devidamente seguro das leis de transito ele carrega uma lanterna na mão direita, dizia ele ser o farol do BTU vermelho que ele manobrava nas esquinas do seu quintal. Não pense que ele era um garoto solitário de hábitos simples e imaginação fértil, ele nunca andava sozinho, era diariamente seguido pelo ônibus da AXE do seu irmão, o Rio Vermelho do seu vizinho, e sua melhor passageira.  Lá a noite continua escura, com todas as luzes desligadas, menos as luzes das três lanternas que cortavam o preto.



Hoje eu queria saber se o garoto realizou seu ‘’sonho’’, e se hoje dirige um BTU vermelho pelas ruas da cidade, eu provavelmente nunca vou saber, ou se os outros o fazem também, mas me peguei pensando que nesse tempo de greves de motorista, como o menino reagiria a tal falta que os ônibus lhe faziam.


Usando minhas palavras de narrador, eu acho que ele se sentiria usado pelo governo, onde seu maior prazer se tornaria uma grande dor de cabeça e com consequências, pois meninos são meninos, mas imagine você também, esse menino puxando a mão da mãe, levando ela até a frente da televisão e dizendo que ele também deveria ir para rua, deveria protestar, pois como os outros ele era também era um motorista de ônibus, que cumpria seus horários. Nunca tinha deixado um passageiro no ponto, nem a filha da vizinha que ao ‘’subir’’ no ônibus botava a mão em sua cintura e aperta bem forte, nem no irmão que quando não estava dirigindo subia no ônibus sem pagar passagem, ou no amigo ‘’eterno rival’’ que fazia sempre ultrapassagens perigosas, era motoristas natos.  


O sertão vai virar mar!




- O sertão vai virar mar!
- O sertão vai virar mar?
- O sertão vai virar mar!
- Quem falou uma barbaridade dessas?
- O lobo! Ele disse que era para mandarem leite em pó pra cá.
- E o que isso tem a ver com o sertão virando mar?
- Tem sim, já que aqui não tem água pra dissolver o leite. Essa é a única explicação.
- E não é que você tem razão.
- Eu falei, e por isso irei gritar que o sertão vai virar mar!
- O sertão vai virar mar!
- O sertão vai virar mar!

A fila






Sete caras na fila, conversando e rindo, mas desses sete só um não cortou a fila. O vigia da porta olhava e repetia pra Tia da cozinha, que os meninos de computação eram todos cafajestes.

Uns de barba, cavanhaque, bigodes, outros nada, mas sempre estão lá, falando e reclamando, tentando sempre pegar uma colher de cada coisa a mais, o costume os convém. O Seu vigia, fazia por que fazia questão de parar a fila bem na vez deles, dizendo sempre que o restaurante estava cheio de mais. Mas a gente sabia que era mentira dele, ele queria companhia, companhia do vigia.  

Lá vinha ele dizendo – Porque vocês não chegam mais cedo? – a gente nem mais respondia, ele sabia, no fundo ele sabia, matemático num tem nem tempo de comer. E lá vinha ele de novo dizendo que tudo se tiver o tempero bom da pra comer. Eu não discordo, com um tempero bom que mal tem?

Dessa vez ele falou que já rodou o país todo, que já comeu de tudo, tanto de comida quanto de rapariga. Que iam pra chácara do amigo, bebiam até a policia aparecer, que era uma festança, e era constante tirar um do xadrez. Apontava e dizia – Você! Deve ser o líder a alcateia de cafajestes, só anda na frente deles - Mas na verdade nem era, só não gostava de olhar pras costas das pessoas.

- Olha um macaquinho.
- Oxi, cortando assim ó, temperando fica uma delicia.
- Olha um passarinho.
- Oxi, cortando assim ó, temperando fica uma delicia.
- que cachorro bonito, vei.
- Oxi, cortando assim ó, temperando fica uma delicia.
- Olha que biologazinha linda!
- Oxi, cortando assim ó, temperando fica uma delicia.
- Deve ficar mesmo...
- Rapaz, Maria, olha pra isso, em computação só tem cafajeste.