domingo, 23 de setembro de 2012

Poetas mortos não falam




‘’Mortos não falam’’
Por: Junior Nodachi

Não basta sermos conduzidos pela maré, levados pelo vento, ou arrastados pela estrada. Somos homem, somos poetas, cantores sambistas, somos uma sociedade de poetas mortos. Vivemos com a necessidade de entender, e desfrutar do entendido, a necessidade de enxergar as formas esculturais das coisas, de transmitir em palavras o que não conseguimos em gestos, pois somos poetas. Não poetas comuns, pois não existem poetas comuns, não pegamos e lemos, vivemos, escolhemos e transformamos. Vamos colher o dia, aproveitar o momento, é o mais concentrado teor de carpe diem que transbordas dos nossos poros e é expulso de nossa garganta cansada de tanto beber.

Somos conquistadores, nós podemos tudo, fazemos o que queremos, aproveitamos o momento, vivemos o momento, aproveitar, aproveitar, aproveitar, aproveitamos. Nós queremos esses momentos para sempre. Não como poetas, queremos como homens, como uma sociedade. Podemos, passamos, essa é a ideia de que iremos realizar todos os seus desejos, todos os sonhos. Fazemos o impossível possível, andamos na corda banda, no limite da vida, vivemos morrendo a cada dia a cada passo, andamos na calçada ou na rua. Vamos ama-la como única, vamos lhe levar para o caminho do mal, para o caminha do momento, faremos você escrever seu caminho. Mas não é só escrever, é ler o que esta escrito até fixar, até transcender o papel e se tornar você. Façamos nosso próprio caminho, sozinhos ou não. De mãos dadas com nossas conquistadas ou não. Não sejam tímidas, venham, venham nos conquistar, venham aproveitar seus momentos com nós. Esqueça os outros, nós seremos os outros e nós mesmos. Seremos os olhos, a boca, as mãos, venha dormir comigo, venha correr comigo, venham ler e escrever seu caminho. Vamos surpreender o mundo se vocês quiserem. Vamos aproveitar, aproveitar esse momento, esse momento. Carpe diem minha querida.

O desejo da desejada



‘’Desejo’’
Por: Junior Nodachi


Será que era só desejo? O que era essa inocência que ela relatava nos seus cadernos? Ela queria caminhar mais um pouco, caminhava pra afastar o desejo. Mas que desejo? É de sexo que estamos falando? Talvez. Ela via como algo mais, sexo por sexo ela já tinha feito, não havia motivo pra tal reflexão em uma caminha noturna.
Ela queria a confiança dele tocando ela, ela queria ser usada, ser manuseada como um objeto. Sem romantismo, sem passageiros sentimentos que se desfazem na manhã seguinte. Ela já era tratada como uma mulher, mesmo não agindo como uma. Ela já era tratada como uma mulher, mas queria mais, queria ser uma puta. Sim, uma puta. Queria ser usada e largada em algum beco daquela rua escura. E agora se perguntava se era só desejo. E se era só desejo, se perguntava, por que não se entregava a esse desejo? Ela estava confusa queria e não queria ser usada. A caminhada acabava e ela voltava. Voltava pra casa, voltava pro quarto do bordel que ela estava presa. Para ser usada e largada, como o guardanapo que ela usava pra se limpar. Será que era só desejo?