quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Um romance.


                                                      (Não achei uma foto legal)


‘’Um tanto maior que o normal’’
Por: Junior Nodachi


Um pedaço.


É um tanto maior que o normal, como o próprio titulo já diz. Não que eu faça histórias pequenas, não que eu me importe de mudar um pouco meu formato, não temos leitores. Por isso hoje Tudo começa normal. Uma história normal. Parar atrair o leitor em geral, devemos titular nossa história de romance compacto, e não simplesmente de texto. Eu gosto de textos, são cômodos, simples. Mas hoje precisamos de algo com mais corpo, com um fundamento, com impacto. Isso pode não passar de um simples desafio de uma mente cansada. Nova, banal, mas ainda uma mente cansada.
- Vamos crescer, meu bem. Mas sem deixar de sermos crianças. 
Ele fala vagamente, ela mal consegue escutar. Esta em seus braços, mas diferente do que parece, do que é comum. Lá fora não está frio. Não esta nevando, nem ao menos chovendo. Eles não viverem uma história de dificuldades para estarem juntos. Não existe um motivo, não existe razão, intervenção do universo, ou algo místico que os prendam um ao outro. Não são bonitos como os amantes dos livros consagrados, ou dos contos infantis. Arrisco a dizer que nem ao se sentem tão atraídos um com o outro de maneira forte e vivida como os velhinhos de família grande que vagam nos parques domingo atarde.
Todo começa com eles se beijando. Como qualquer romance deve começar. Algo que prenda sua atenção, que faça você imaginar. O longo apertar da sua mão na mão dela, um apertar forte, intimidador, protetor. Por algum motivo desconhecido desse pobre narrador que recorda a cena romântica, ela fecha os olhos. Ele conduz a sua mão para o pescoço dela, olha para seus olhos fechados e a puxa pra si. O movimento leva horas, dias, meses, uma eternidade. Visto de longe parecem duas estatuas. Duas molduras frias de bronze ou mármore. Os olhos dele vão se fechando levemente, junto com os braços dela que enlaçam o tronco dele. Mas um ato de proteção. Uma notória medida de filhos criados por mães.

‘’Somos uma geração de homens criados por mulheres. ’’ Uma frase conhecida, até onde eu me lembro. Uma frase verdadeira até onde me recordo. Alimentam-nos, nos criam, nos protegem. São assim nossas mulheres. São assim os romances. Nós não buscamos algo que nos complete, buscamos algo que nos foi dado e tirado, por isso nós crescemos. E por isso não deixamos de sermos crianças.

A mão dela vai abrindo caminho entre seus corpos, levemente, cuidadosamente. Vai abrindo espaço, fazendo seu caminho caminhos pelas vielas da carne, no mais conhecido le corps de l'être aimé. E finalmente seus dedos têm onde descansar. Repousam na face cansada dele. Repousam, mas não param totalmente. Não conseguem, estão vivos, estão em busca da forma mais bruta de carinho, da forma mais bruta de bem estar, de prazer. E lá eles continuam, por anos, por décadas, por centenas de anos.

Pessoas continuam a andar entres eles, mas esse não é um fato importante que mereça a atenção de um narrador enquanto um ato de dimensões bem maiores acontece perante suas lembranças. Vamos dizer que o cenário some, puff! Que as pessoas sumiram, que os pássaros congelaram ou que nem existiram. Vamos direto ao que todos buscam no romance. Ao que eu estou disposto a contar.

Dizem que existe uma linha tênue que separa o amor dos outros sentimentos. Dizem que o amor não passa de uma reação do cérebro. Logo esse amor, o objeto de trabalho de incontáveis poetas, filósofos e escritores em geral, o amor, um dos sentimentos mais famosos entre os seres humanos, é posto em dúvida aqui. Todos nós sabemos que o amor não passa do seu desejo sexual potencializado pela dopamina, um neurohormônio produzido pelo hipotálamo, que provoca a liberação de testosterona, hormônio que desperta o desejo sexual. O amor é uma sensação de união que é reforçada pela presença de ocitocina, que é sintetizada no hipotálamo e secretada no sangue pela pituitária. Em mulheres, a ocitocina estimula as contrações do parto, lactação e amor maternal. Tanto em homens quanto em mulheres está altamente durante o sexo e explode durante o orgasmo, tendo influencia na união do casal.  

Alguém vai deixar de amar depois dessa explicação? Eu realmente espero que não. Eu sou um narrador, mas gosto de ficar junto também. Enfim, continuando. Eles finalmente se beijam. Tudo começa com eles se beijando, como qualquer romance.


Dois pedaços.


Agora pulamos para uma parte onde ele morreu. Sim, nosso belo e romântico protagonista está morto, mortinho da Silva. Daqui eu consigo ver claramente, os destroços retorcidos do Dodge Charger rt 1970, comprado ilegalmente na mão de um estrangeiro qualquer por uma pechincha, segundo uma amigo dele. Ele adorava finalizar os sábados passando cera na lataria amassada gentilmente por ela quando manobrava de forma angelical em direção à garagem de sua casa. Ele adora procurar moedas nos enormes bancos de couro, tirados de um Chevy Impala 1965, e comprados pela metade do preço.  Era um ótimo lugar pra passar a anoite quando ela o botava para fora de casa.

Agora estava lá, todo aquele couro com espuma, e o recosto de bolinhas de madeira feito por ela, à mão. Estava lá, queimando e queimando. Um fogo belo, meio vermelho, meio azul. Agora ele se encontra aqui parado ao meu lado, ouvindo atentamente eu narrar esse pequeno pedacinho da sua morte.
Ele olha para mim... Continua olhando e nada fala. Melhor eu me apresentar, não me lembrava dele ser tímido. As pessoas podem mudar quando morrem, pelo visto.

- Muito prazer meu bom homem, eu sou o Narrador.
- Narrador? – Ele olhava com aqueles olhos de peixe morto, típicos de um homem morto.
- Sim, sou o narrador da vida, e hoje eu serei seu narrador.
- Como assim narrador?- Realmente eu não lembrava dele ser um cara tão lerdo em entender os fatos. É a morte, ela faz isso.
- Deixamos isso pra lá. Como você se chama?
- Eu... Eu... Eu me chamo... Eu não lembro como me chamo.
- Óh, um horrível fato, todos devemos ter nossos nomes quando morremos. É a única hora que precisamos deles, precisamos ser lembrados. Que tal olhar em sua carteira. Você tem uma carteira ai, não tem?
- Sim, tenho. Isso é estranho.
- Não discuta comigo, apenas olhe seu nome, para que possamos voltar a narrar sua morte.
- Esta aqui, Ângelo, chamo-me Ângelo.
- Lindo nome Ângelo, chamo-me Narrador, como disse antes, é um prazer imenso lhe conhecer. Agora pode ficar sentando ai se quiser, tenho um romance para narrar.
-Tudo bem... Eu acho.

Ahh, que pena. Perdi a chegada dos bombeiros e policias. Uma falta eterna par minha carreira de narrador.
A pericia constata que Ângelo dormiu ao volante, devido a algum motivo que será descoberto futuramente quando seu corpo for examinado. Agora a policia segue em um pequeno comboio de dois carros. As luzes embebedam os outros motoristas que seguem em sentido contrario. Um barulho de sirenes e chuva entra pelas janelas abertas dos apartamentos que ficam de frente para a ponte. Pelo visto os policias estão calmos, ou cuidadosos por causa da pista molhada. Uma situação plausível, visto que acabaram de informar a Ela que seu amado tinha falecido. Assim como eu, assim como você, esses policiais também devem ter suas famílias, seus problemas, seus romances. Seria imprudente arriscar tudo depois do exemplo que nosso amigo Ângelo deu. 


Três pedaços.

  A dor psicológica de um término é tão real como uma dor física.
A dor eterna de um término pode ser incomparável.
Ela estava encolhida, sentada no seu sofá da lã de alguma grife famosa, comprado pela sua mãe. Por que por ela, qualquer um estava bom. Ela era simples, mas de muitos detalhes, animaizinhos na estante, a cortina de miçanga, a bolsa de crochê comprada no mercado de artesanato. As panelinhas de barro com pinturas de um fazendeiro e sua esposa ficavam em cima da mesa de centro em forma de yin yang. 

 Ela chorava. Expelia pelos olhos suas dores, seus sofrimentos, suas angustias, seus sonhos. Lamentava e lamentava. Ela achava que Ângelo era o amor da sua vida, pelo menos o ultimo amor da sua vida. Antes ela teve vários últimos amores. O amigo do primário, o lindo alto do final da rua, a paixão do ônibus, o jogador de vôlei, o musico. Ahh, os músicos, foram seis ou sete. O trabalhador serio, o universitário, o medico e finalmente o Ângelo, que por sua vez não tinha nenhum adjetivo.

Ela chorava. Chorava por que depois deito tempo no carinho desordeiro dele, ela simplesmente deixa de ser a criança que prometera pra ele se tornara mulher. Ela ainda recorda dos olhos dele, olhos pretos como a camisa que vestia. Olhos tristes enquanto ela dizia que ele não era suficiente. Assim ela lembrava. Na verdade, ela simplesmente o ignorava, o deixava de lado, o deixa no escanteio. Ele era sem adjetivo, o que ele iria dizer pra mãe, para o pai, pra família. Ela dizia sempre, ‘’foda-se o que eles acham’’, mas por sua vez, sempre queria a opinião deles. E Ângelo era um homem sem adjetivos. 

Ela chorava. Chorava por não ter tido o filho que ele tanto queira. Filha na verdade, ele sempre dizia que não poderia ser mais responsável por um homem, assim como ele cuidara dos seus três irmãos. Ele queria outra dela na sua vida, uma copia menor, que ia crescer como muda de planta, como uma arvore na primavera. Sempre elogiava partes dela que ninguém tinha elogiado, queria ser lembrado, queria um adjetivo que não tinha.

Ela chorava. Chorava por nunca ter feito nada com ele, nunca ter matado ninguém com ele, nunca ter saído no carro dele. Ela achava o carro velho e bolorento. Agora um carro destruído e contorcido. Até o carro tinha adjetivos. Queria ter corrido com ele de mão dada, praticado seu esporte, ter bebido, mas bebido muito. Ele costumava chegar fedendo a bebida, de voz rouca, dizendo a amava. E ela respondia: ‘’ Você é legalzinho, mas não quando está bêbado’’. Queria ter conhecido a família dele inteira, queria ter roubado seu coração e botado em um vidro, pra guardar pra sempre, queria ter levado ele junto nas festas dos amigos, levar ele até na casa da tia pra fazer bordado. Ela o queria de volta.

Ela chorava. Assim foi um dia, uma semana, um mês, e nada. Chorava e chorava. Não comia, não reagia, não lutava. Se ele estivesse lá, logo mandaria ela levantar e ir ao parque mais ele, pra ela conhecer gente nova, pra ela se drogar, se pintar, se matar. Fazer qualquer coisa, menos ficar parada.  A dor psicológica de um término é tão real como uma dor física. E assim ela sentia, sentia e sentia. Era dor na perna, na barriga, dor no braço, na cabeça, o coração não parava, ela pedia que parasse, ela chorava e chorava.

Ela chorava. Mas agora não mais do mesma forma, não mais com lagrimas, não mais como podia. Todos já haviam ido embora, ela estava sozinha, e estava com medo. Tentava não pensar nele, mas a cada coisa que fazia lhe remetia o que ele fazia. Isso ainda a maltratava, mas ainda assim ela saia. Começou a ir ao mercado, arrumar a casa. De tempos em tempos até beber, bebia.

Ela chorava. E parecia ter envelhecido uns 10 anos. Sua pele estava clara como a neve que nunca vira, a não ser no cinema é claro. Branca e sem manchas, a não suas manchas. E como ele adorava cada mancha. Passava horas e horas alisando cada uma, olhando cada uma, conhecia todas, e apelidava todas. E as horas pareciam dias. As visitas aumentaram, os pais vinham, as tias, as primas. As amigas estavam sempre por lá, mas a maioria tinha casado. Ai como queria ter casado, ter tido o sobrenome estranho dele junto ao seu nome nobre. Como queria ter corrido nos becos escuros, subidos nos muros e ficado acordada até o raiar do dia.

Ela chorava. E voltou a chorar ainda mais quando via o Dodge Charger, que o homem do fim da rua vendia.


Quatro pedaços.  


- Anime-se! Temos que sair e ver o mundo.
E assim ela levantou do sofá de lã que passava as noites com ele e fio com a amiga. Foram para um bar, depois para outro e para outro. Toda noite era um diferente. Ela já tinha voltado ao trabalho, quando chegava lá estava sua amiga, em sua sala. Tinha dado a chave a ela pra alguma emergência, ou para o caso de esquecer a sua em algum lugar. Andava muito esquecida.

Nessa noite iram em uma festa agitada, com banda e pessoas alegres, ou em seu vago conceito de alegria, dançando e dançando. Ela estava belíssima, diga-se de passagem.  Meia-calça preta, uma saia de um bordado qualquer, uma blusa branca, um sutiã de renda, que dava pra se ver pelo decote. Eu não entendo muito de roupa de mulher. Mas para um simples narrador, ela estava magnifica.
- Não me olhe assim Ângelo, sabes que amo outra narradora. Mas meus olhos conseguem enxergar tal beleza ainda. Somos amigos Ângelo.
Algo de diferente aconteceu nessa noite. Ela acordou em um lugar estranho, em uma cama estranha. E o principal, com um cara estranho. Ele é bem apessoado, forte, tatuado, cabelo liso e um ar de presunção, mas ainda dorme. Dorme como Ângelo. Sinto-me feliz por ele não ter visto a noite dela, talvez por mim, talvez por ele. Não sei por onde anda a minha narradora que nem é minha, pode esta em qualquer história, mas a vida e a morte são assim.
Ela se sente culpada. Tão amedrontada, tão amarga... 
- Por que devo perceber o quão desgraçada eu sou? 

Ela volta pra casa, volta para o sofá, deita nos braços da amiga que dormiu por lá e dorme.  Na manhã seguinte ela viaja. Um dia, uma semana, um mês, um ano, uma década. Cada dia ela vai esquecendo ainda mais Ângelo, e cada dia Ângelo vai esquecendo um pouco mais dela. Viver no branco entre cada linha de um livro não é nada fácil no começo, não até você esquecer completamente de tudo que você tinha. Ângelo agora tenta aprender um pouco de narração comigo, mas confesso que ele não tem futuro nesse lado. Com exceção de uma destreza infalível para erros sintáticos, o que me ajuda me irrita de horas em horas.  

Ela volta pra sua casa. Nem acredita que tanto tempo se passou. Sua amiga casada com um afilha linda do lado. Olhos grandes como o dela, os outros traços devem ser do pai. Com o tempo reparo que ela se casou com o homem do final da rua. O homem que vendia Dodge Charger. Ela pergunta a ele se ainda tem o carro, e ele responde positivamente, dizendo que nunca conseguiu vender a lata velha.
- Eu estou interessada nele.
- Jura? Não é bem um carro feminino, e tem vários problemas, e sem falar que é bastante pesado.
- Não me importo, com o estado, só me venda.

Na manhã seguinte ele bate em sua porta, bem cedinho. Ela acorda do sofá, caminha até a porta e ela esta lá, com a filha no ombro e com um sorriso imenso.
- A senhora é dona de um Dodge Charger rt 1969 laranja madeira envelhecida com teto branco. Rodas originais aro quinze, vidros transparentes, motor semi-original sucateado, bancos em couro claro, e uma linda flor feita por essa criaturinha aqui com uma pedra na porta lateral esquerda.
- Obrigado.
- Não, eu que agradeço.
- Não, digo, a ela. Adoro flores.



Cinco pedaços (pedaço final)



Eu preciso finalizar esse romance, mas eu estou cansadíssimo.
- Ângelo, não quer termina pra mim?
- Você quer que eu narre o final de tudo?
- Sim.
- O que eu tenho a perder.
- A vida é que não é.
- Seu otário.

E então o narrador se senta entre uma linha e outra, bota as mãos atrás da cabeça e me observa. Eu não tenho muito que dizer, eu não vejo as coisas que ele estava vendo, pra mim está tudo branco. Ahh, agora vejo um carro, um carro parecido com o meu, mas esse é bem mais novo que o meu. Agora desce uma mulher de dentro dele.
- Tenho que descrever a mulher?
- Tem sim.
- Ah, tá.

É mulher de meia idade, linda pra idade dela, usa um tênis velho e o cabelo preso pra trás... Usa uma camisa preta de uma banda que eu desconheço e uma bolsa de crochê para o lado... Ela vem caminhando até min, pega minha mão, bota minha mão esquerda no seu rosto, e a direita em sua cintura. Agora fica olhando nos meus olhos enquanto eu narro, ela sorri um pouco, é realmente um sorriso lindo.
- Sentiu minha falta? – Ela diz de forma sarcástica balançando rapidamente a cabeça negativamente, mas ainda sorrindo.
- Sim. - Eu, Ângelo, o substituído do narrador preguiçoso digo.
- E agora? - Ela me pergunta.
- Eu não sei, vou perguntar pra meu narrador – Eu respondo pra ela.
Quando para o narrado ele esta fechando sua pasta e botando as paginas em branco dentro da bolsa de couro dele, com um adesivo do lado escrito: ‘’vai Tigers, rumo ao titulo’’.
- E agora narrador, o que nós faremos? – Eu pergunto para ele. E ele sem olhar pra nós me responde.
- Eu não faço a mínima ideia, se beijem e tal. – ele diz, e eu concordo. Olho pra ela e...

Tudo começa com eles se beijando, como qualquer romance. O primeiro que de todos. Aquele romance que começa sentado, pertinho um do outro, no sofá de lã. Durante a noite inteira. Mas isso não foi um romance, foi um piscar de olhos, foi um segundo, um minuto, uma hora, um dia...




Acabou.  Para gente.


Nota interessante ao leitor: Enquanto eu escrevia o ‘’terceiro pedaço’’, e me perdia nos detalhezinhos, imaginando cada coisinha, cada pedacinho de cena, cada quadro, minha comida que estava esquentando no forno, queimou, e eu fiquei com fome. Mas mesmo enjoado, comi biscoitos. E perdi meu peixe. Adoro peixe.   

Um comentário:

  1. "[...]Todos nós sabemos que o amor não passa do seu desejo sexual potencializado pela dopamina, um neurohormônio produzido pelo hipotálamo, que provoca a liberação de testosterona, hormônio que desperta o desejo sexual[...]" Tô vendo que fez o dever de casa direitinho... kkkkkkk
    Adorei o texto, extremamente envolvente. Parabéns, a cada dia pior. :)

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