segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Rapadura




Orgulho é que nem a véia, rapadura também é igual ela: é doce mais num é mole. Ôh que bicha véia. Eu sou nordestino, baiano, alagoano, sergipano. Eu sou da roça, sou da seca do norte, nordeste, da peste e cabra. Eu digo oxê, ela diz oxênte, eu digo arri, ela diz arriégua. Nega namoradeira, se ilumina a luz de lamparina na janela, por que hoje num tem fogueira, mas num deixa o pai dela ver, só pensa em namorar.  A flor de mandacaru desabrocha ao alvorecer. Menina, nem é mulher, pensa que sabe o que quer. Nem sabe, falaram pra ela. É rapadura, doce, mas num é mole. Mês de junho vem ai, saia a rodar, mulé direita, é risco na ribanceira, oxê, nega! É que nem a véia, rapadura também é igual. Uma preta nordestina, um calor que queimar nos zoios, e o vento soprou e a folha caiu, que noite chegou fazendo frio. É mel com limão. Mas o toque que acaricia quando a gota do limão cai no olho denuncia. E nós num cansa, cava, afofa, liga, trabalha, lavra, eu num sabia, só sabia dançar, mas nem agradeci, depois agradeci, se um deus deu, do que adianta eu num acreditar. Tem bolo de mandioca, de milho verde, recorte na dança, aprecio o clima da roça, reuni a família. Mulé rapadura, só quebra no dente da gente, ou quebra o dente da gente, tem que saber lidar, num é iguaria do sul, é da terra, mas exporta igual uma porta, é dura. E rima Junior com junina em junho, oxênte. Rapadura é mais doce que mel, mas num é mole.

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