sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Batom vermelho




''eu não sei da nome pra isso''
Por: Junior Nodachi

Ela precisa de um canto para ficar quieta, lendo, respirando, sem fazer nada.
Eu preciso de um canto para ficar quieto, lendo, respirando, sem fazer nada.
Ainda gosto dela, pois gostar dela me deixa humano, insano, lúcido, mas regulamente bobo e distante. É como um pacote cheio de mm's e jujubas. É como a boca dela com batom vermelho. É vivo, é morto, chato, sexy, enlouquecedor, problemático, é simples compacto e com design arrojado. É como o verso da Lya Luft que adaptei. No entanto sou menos presente a ela do que presente ao meu teclado.
Pois eu preciso de um canto para ficar quieto, lendo, respirando, sem fazer nada.
E ela precisa de um canto para ficar quieta, lendo, respirando, sem fazer nada.

11:11 - 11/11/11




No belo dia de 11/11/11 as 11:11 eu comia panquecas quando de repente...  descobrir que o recheio era de carne e não de frango. O que me deixou muito assustado e estarrecido, digo até que foi uma coisa diabólica.

Carteira




‘’Carteira cheia ‘’
Por: Junior Nodachi

Uma bela e gorda carteira cheia era particularmente um sonho infantil, um sonho bem sonhado como todos os sonhos que uma criança sonha. Via sempre a carteira da minha mãe na mesa, revestida de couro, espelho, nobreza. Um momento qualquer eu pedi uma a ela, e ganhei, chega meus olhos brilhavam. Preta e laranja com um pegasus desenhado. Nem é saudade a escrita de hoje, pois ela ta aqui do lado, na estante, nem tão bem guardada. Passei por outras depois dela, mas nunca me desfiz da criatura. Quando a libertei veio uma preta, uma marrom, uma variedade delas. Acabei até trabalhando numa fabrica, mas lá não produzia uma como aquela.

No entanto não era gordinha e estufada, e sim raquítica, magrinha e mirrada. A da minha mãe tinha cartões, documentos, passagens e varias paradas. O que me restava era guarda minhas moedas estrangeiras, notas de cruzeiro, reais da mesada, e figurinhas premidas. Tão bem guardada, cheia e saturada que o zíper nem fechava.

Hoje em dia não, ele transborda documentos, cartões, papeis importantes e regras. Minhas moedas estrangeiras ainda continuam na nova, só as preferidas pra ser sincero. Mas dinheiro que é bom, ele ainda tem espaço pra botar, pois a da minha mãe já tinha pouco, a minha não tem quase nada.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Amigos zumbis






Halloween



‘’Pálida’’
Por: Junior Nodachi

Era uma noite de sexta-feira, e Yuri assistia compulsoriamente sua coleção do Resident Evil. A casa estava sozinha, todos haviam viajado, era só ele e a iluminação azul que emanava da TV de cristal velha. Por muito não saia daquela posição, os pacotes de bolacha espalhados pelo chão da sala e vários copos em cima da mesinha de centro, demonstravam uma pratica de ócio involuntário. Não se sabia que horas eram, mas se sabia que era tarde, pois a muito esbarrou no controle e trocou acidentalmente de canal, onde percebeu que passava uma novela de nome irrelevante.

Já estava pegando no sono, em meio aos dribles céleres de Alice, quando escutou os talheres caindo no chão da cozinha. A casa estava negra, sozinha, sombria, só ele e a TV, seu gato já tinha falecido há muito tempo. Uma dedução ligeira passou pelo lóbulo frontal, o causando um arrepio na espinha. Mas tudo absorvido pela grande sessão de zumbis errantes que tinha sido aquele dia. Besteira, provável.

Pela manha assistiu toda a temporada de The Walking dead, comendo nos intervalos de um episódio para o outro, completando à tarde com uma boa leitura do; Guia de Sobrevivência a Zumbis, que era um livro muito bom por sinal, entrou a noite olhando preço de armas no mercado livre e a concluiu com uma maratona de Resident Evil’s, sua paixão tenebrosa.

Sua percepção aguçada por tais filmes lhe deram uma dianteira quanto aos talheres. Pegou uma faca que tinha usado para cortar uma lasanha e caminhou em direção a porta da cozinha, não era um corredor grande, mas nada que lhe trouxesse sossego. Cada passo era como desarmar uma bomba relógio, um pedaço de sua alma na balança da divida. O suor escorria pelo seu rosto, sua pupila se contraia, o relógio estralava tic tac’s cada vez mais alto, e o cheiro pobre vindo da cozinha entrava em suas narinas como a descoberta de um cadáver em putrefação.

Pensou em ligar a luz do corredor, mas já era tarde, não poderia perder todo tempo que ganhou, poderia custa-lhe a vida. Ao passar pela envergadura da porta, tateou a parede procurando o interruptor da cozinha, ligou.  Uma chama tomou seu rosto como em um vampiro aprisionado lhe toma a existência. A sensação quente em sua face não lhe deixava fitar o local de maneira completa.

Entretanto quando se deu por si, estava de frente a uma garotinha, alguém completamente diferente de sua família, dele. A garota tentava insistentemente alcançar o pingüim que estava em cima da geladeira. Ela se esticava nas pontas de suas sapatilhas pretas, sua meia parecia um pouco levantada e seu cabelo preto bem tratado, e isso lhe encantou de maneira hipnotizante. Mas depois do impacto momentâneo do susto se veio o medo, o pavor, o pânico. Quem era aquela criatura frágil, dócil e tenebrosa que tentava por vezes pegar o pingüim da geladeira? Deu dois passos para frente e em seguida um para trás, a curiosidade superava o medo. A mão estendida em direção a ela tremia de maneira perceptível. Tocou-lhe fazendo perceber de sua presença. Uma cara linda e branca se virava para ele. Yuri rapidamente tirou a mão de seu ombro, depois de vê-la real, depois de encarar seus olhos verdes.  Perguntou meio que erroneamente;

- Quem é você? Eu moro aqui, onde você é?
- Bom dia... eu sou a... Lucia, eu também moro... aqui.
- Não, não! você não mora. Cadê seus pais, você ta perdida?
- Não... eu moro aqui, e você é meu irmão, meu irmãozinho...

Um horror tomava a cara de Yuri, tudo perdia o sentido, sua boca ficou seca e o ar frio. Suas mãos gelaram, o suor descia pelo seu pescoço com mais vigor do que nunca. Batimentos cardíacos acelerados e respiração irregular o marcavam. Os olhos verdes de Lucia faziam se concentrar plenamente em sua palidez magra e morta. Foi quando ele tomou fôlego e voltou a falar:

- E ai, quer ver Resident Evil comigo?
- Claro, por que não? Tem biscoito lá?
- Não, eu comi tudo.