terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Puta




‘’Uma Puta’’
 (Baseado nos versos do Ilustre Rogério Skaylab)
Por: Junior Nodachi

Em plena festa com aquela saia rodada de pregaras curtas. Uma safada, Gostosa! Pele pecado feroz e de vigor volumétrico. Cabelo enrolado, dançando no sapatinho, gostosa! No final das contas vocês vão parar num motel e transam a noite inteirinha. Um mês depois ela aparece em sua porta, grávida, e não quer tirar a criança. Conclusão; você vai ter que pagar pensão o resto da vida. Ela te ama? Não!!! O que é ela é então? PUTA! É PUTA!!! Mas você insiste, não desiste, quer fazer umas compras, uma calça, vai ao shopping. A vendedora lhe atende, vem ao seu encontro com um sorriso no rosto, intimidade e carinho. Gostosa, sensual e provocante. Ai você não pensa nem enxerga mais nada, compra calça, camisa, terno, cueca, meia e sapato. Conclusão; ela é uma vendedora? NÃO!!! O que ela é então? PUTA! É PUTA!!! Trabalha estressado o dia inteiro, no final do expediente chega aquela funcionaria nova, falando mancinho, manhoso. Lábios carnudos e um cabelo preso que da vontade de agarrar. Gostosa, maliciosa! Chega ao seu lado com uma papelada na mão pedindo sua ajuda. Ai você não pensa, não sente mais nada.  Faz, ajuda, revisa e entrega o trabalho. Conclusão; ela é coleginhaa? NÃO!!! O que ela é então? PUTA! É PUTA!!! Saindo de lá você encontra aquela paixonite de tempos, conversam, logo você sente aquele cheiro de xampu, senta pertinho, a voz dela parece te deixar excitado a cada silaba, vogal, acento, numeral e consoante. Não tira o olho das perninhas gostosas. Ela vem com uma proposta indecente, você acha que agora vai rolar algo, que vai ter um futuro bom, e ela pede muito sexy, olhos nos olhos, boca entreaberta. Ai você faz, refaz e tréfaz. Conclusão; ela é amiga? NÃO!!! O que ela é então? PUTA! É PUTA!!! Paris, cidade estrangeira, cheia de cafés e francesinhas gostosas, bela vista, cheiro bom e momentos únicos. Tem Money? Não. Então não pode não. Conclusão; essa cidade te ama? NÃO!!! O que ela é então? PUTA! É PUTA!!! Calma, o que é isso? - Disse a psicanalista junto aos meus delírios – é que todas as coisas que eu via; escolas, hospitais, crianças, velhinhas, pareciam putas. Trinta minutos depois, paguei a consulta e voltei sozinho pra casa com... Com aquela sensação... PUTA! É PUTA!!!

O novo


‘’O novo’’
Por: Junior Nodachi

Quando abatia, debatia, injetava tecnologia.
Encosta na tua pele ferro quente.
Jovem desenhado.
Com acessórios plásticos,
Metálicos poéticos,
E tumores linfáticos.

Vou botar um parafuso na cabeça.
 Dizer: é high tech.
Vi a vista do fashion.
Vou botar um aparelho no meu dente.
Vou botar um córneo na minha testa
Viva meu limbo minério.
Viva o sexo histérico.

Contos do carochinho


‘’Contos do carochinho’’
Por: Junior Nodachi




Por que esta tão seria? Eis uma mulher pálida e garbosa, de sorriso discreto e enigmático.
Às vezes as pessoas passam e falam com ela, às vezes passam e não. Talvez possa ser pelos seus olhos negros, ou por ser uma Rapunzel moderna.

“Rapunzel está cada vez mais bonita! Vou prendê-la numa
torre da floresta, sem porta e com apenas uma janela, bem alta,
para que ninguém a roube de mim, e usarei suas tranças como
escada.”

Mesmo na torre Rapunzel é admirada pelos seus pássaros, que passam o dia cantando com ela, vendo-a dançar de forma elegante.
Milhares de pessoas passam por de baixo da sacada de Rapunzel, milhares de vidas fluindo em correnteza por todos os lados. Rapunzel, feliz como é, sente-se presa às vezes, mas ama cada segunda de reflexão e sonhos parisienses. Dizem que por fora é casca dura, e que por dentro é carência pura, mas será que certo estão?

Muitos príncipes a desejam, muitos a conquistaram, pois Rapunzel não é inocente e isenta de malicia, ela é só uma moça, uma mulher presa nas letras das musicas que passa o dia ouvindo. Rapunzel é mais passado que futuro, diziam eles. Mas pra mim, que numa das passadas junto à corrente rápida e apressada do leito vigente, reparou q ali tinha uma torre, e que nessa torre uma voz baixa e frenética cantarolava;

‘’ Scar tissue that I wished you saw
Sarcastic Mister Know-it-All
Close your eyes and I'll kiss you 'cause
With the birds I'll share
With the birds I'll share
This lonely view
With the birds I'll share
This lonely view’’


E por ali eu fiquei, até a música acabar, até sentir o frescor da corrente que flui. O misturar dos perfumes de cada um, e a voz da Rapunzel latejar em minha mente de rua cheia de rabiscos e café. E assim eu fui hipnotizado.
— Rapunzel! Jogue-me suas tranças!

O senhor duro



‘’O meu pau fica duro’’
Por: Rogério Skylab
 

Doutor, me explica: por que é que às vezes quando eu fico parado, sem fazer nada, o meu pau fica duro? Não é bexiga cheia, não é mulher pelada, é assim de repente, o meu pau fica duro.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Batom vermelho




''eu não sei da nome pra isso''
Por: Junior Nodachi

Ela precisa de um canto para ficar quieta, lendo, respirando, sem fazer nada.
Eu preciso de um canto para ficar quieto, lendo, respirando, sem fazer nada.
Ainda gosto dela, pois gostar dela me deixa humano, insano, lúcido, mas regulamente bobo e distante. É como um pacote cheio de mm's e jujubas. É como a boca dela com batom vermelho. É vivo, é morto, chato, sexy, enlouquecedor, problemático, é simples compacto e com design arrojado. É como o verso da Lya Luft que adaptei. No entanto sou menos presente a ela do que presente ao meu teclado.
Pois eu preciso de um canto para ficar quieto, lendo, respirando, sem fazer nada.
E ela precisa de um canto para ficar quieta, lendo, respirando, sem fazer nada.

11:11 - 11/11/11




No belo dia de 11/11/11 as 11:11 eu comia panquecas quando de repente...  descobrir que o recheio era de carne e não de frango. O que me deixou muito assustado e estarrecido, digo até que foi uma coisa diabólica.

Carteira




‘’Carteira cheia ‘’
Por: Junior Nodachi

Uma bela e gorda carteira cheia era particularmente um sonho infantil, um sonho bem sonhado como todos os sonhos que uma criança sonha. Via sempre a carteira da minha mãe na mesa, revestida de couro, espelho, nobreza. Um momento qualquer eu pedi uma a ela, e ganhei, chega meus olhos brilhavam. Preta e laranja com um pegasus desenhado. Nem é saudade a escrita de hoje, pois ela ta aqui do lado, na estante, nem tão bem guardada. Passei por outras depois dela, mas nunca me desfiz da criatura. Quando a libertei veio uma preta, uma marrom, uma variedade delas. Acabei até trabalhando numa fabrica, mas lá não produzia uma como aquela.

No entanto não era gordinha e estufada, e sim raquítica, magrinha e mirrada. A da minha mãe tinha cartões, documentos, passagens e varias paradas. O que me restava era guarda minhas moedas estrangeiras, notas de cruzeiro, reais da mesada, e figurinhas premidas. Tão bem guardada, cheia e saturada que o zíper nem fechava.

Hoje em dia não, ele transborda documentos, cartões, papeis importantes e regras. Minhas moedas estrangeiras ainda continuam na nova, só as preferidas pra ser sincero. Mas dinheiro que é bom, ele ainda tem espaço pra botar, pois a da minha mãe já tinha pouco, a minha não tem quase nada.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Amigos zumbis






Halloween



‘’Pálida’’
Por: Junior Nodachi

Era uma noite de sexta-feira, e Yuri assistia compulsoriamente sua coleção do Resident Evil. A casa estava sozinha, todos haviam viajado, era só ele e a iluminação azul que emanava da TV de cristal velha. Por muito não saia daquela posição, os pacotes de bolacha espalhados pelo chão da sala e vários copos em cima da mesinha de centro, demonstravam uma pratica de ócio involuntário. Não se sabia que horas eram, mas se sabia que era tarde, pois a muito esbarrou no controle e trocou acidentalmente de canal, onde percebeu que passava uma novela de nome irrelevante.

Já estava pegando no sono, em meio aos dribles céleres de Alice, quando escutou os talheres caindo no chão da cozinha. A casa estava negra, sozinha, sombria, só ele e a TV, seu gato já tinha falecido há muito tempo. Uma dedução ligeira passou pelo lóbulo frontal, o causando um arrepio na espinha. Mas tudo absorvido pela grande sessão de zumbis errantes que tinha sido aquele dia. Besteira, provável.

Pela manha assistiu toda a temporada de The Walking dead, comendo nos intervalos de um episódio para o outro, completando à tarde com uma boa leitura do; Guia de Sobrevivência a Zumbis, que era um livro muito bom por sinal, entrou a noite olhando preço de armas no mercado livre e a concluiu com uma maratona de Resident Evil’s, sua paixão tenebrosa.

Sua percepção aguçada por tais filmes lhe deram uma dianteira quanto aos talheres. Pegou uma faca que tinha usado para cortar uma lasanha e caminhou em direção a porta da cozinha, não era um corredor grande, mas nada que lhe trouxesse sossego. Cada passo era como desarmar uma bomba relógio, um pedaço de sua alma na balança da divida. O suor escorria pelo seu rosto, sua pupila se contraia, o relógio estralava tic tac’s cada vez mais alto, e o cheiro pobre vindo da cozinha entrava em suas narinas como a descoberta de um cadáver em putrefação.

Pensou em ligar a luz do corredor, mas já era tarde, não poderia perder todo tempo que ganhou, poderia custa-lhe a vida. Ao passar pela envergadura da porta, tateou a parede procurando o interruptor da cozinha, ligou.  Uma chama tomou seu rosto como em um vampiro aprisionado lhe toma a existência. A sensação quente em sua face não lhe deixava fitar o local de maneira completa.

Entretanto quando se deu por si, estava de frente a uma garotinha, alguém completamente diferente de sua família, dele. A garota tentava insistentemente alcançar o pingüim que estava em cima da geladeira. Ela se esticava nas pontas de suas sapatilhas pretas, sua meia parecia um pouco levantada e seu cabelo preto bem tratado, e isso lhe encantou de maneira hipnotizante. Mas depois do impacto momentâneo do susto se veio o medo, o pavor, o pânico. Quem era aquela criatura frágil, dócil e tenebrosa que tentava por vezes pegar o pingüim da geladeira? Deu dois passos para frente e em seguida um para trás, a curiosidade superava o medo. A mão estendida em direção a ela tremia de maneira perceptível. Tocou-lhe fazendo perceber de sua presença. Uma cara linda e branca se virava para ele. Yuri rapidamente tirou a mão de seu ombro, depois de vê-la real, depois de encarar seus olhos verdes.  Perguntou meio que erroneamente;

- Quem é você? Eu moro aqui, onde você é?
- Bom dia... eu sou a... Lucia, eu também moro... aqui.
- Não, não! você não mora. Cadê seus pais, você ta perdida?
- Não... eu moro aqui, e você é meu irmão, meu irmãozinho...

Um horror tomava a cara de Yuri, tudo perdia o sentido, sua boca ficou seca e o ar frio. Suas mãos gelaram, o suor descia pelo seu pescoço com mais vigor do que nunca. Batimentos cardíacos acelerados e respiração irregular o marcavam. Os olhos verdes de Lucia faziam se concentrar plenamente em sua palidez magra e morta. Foi quando ele tomou fôlego e voltou a falar:

- E ai, quer ver Resident Evil comigo?
- Claro, por que não? Tem biscoito lá?
- Não, eu comi tudo.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Tédio

Hoje, como um dia qualquer, o escritor iria redigir mais um texto. Entretanto algo lhe mordeu e o envenenou. A substância corria seu corpo até ele desabar em um coma profundo de tédio por saudade de coisas que não existiram. E assim ele ficaria até o beijo da menina de batom vermelho ele reencontrar.


quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Dia das crianças


''Meu acontecimento inusitado do dia das crianças encapetadas''
Por: Eu mesmo

O dito cujo que vos escreve entra em casa depois de uma tarde exaustiva de cachaça skate park. Sua mãe depois de um tempo lhe dirige um olhar de decepção e fala:
- Já tirou aquele 50-50?
  O filho embasbacado, sem reação, diz:
- Sim e não, velha. Só ta faltando a saída  (O.O)
Ela se retira do quarto... E em seguida ele pensa:
*JESUS CRISTO!!! QUE DIABOS FOI ISSO?*

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Infantil







‘’ Memórias póstumas da infância’’
Por: Junior Nodachi

Um problema mais que antigo se abate incessantemente sobre nós. Sobre nossas cabeças escaldadas pelo sol está a infância perdida ou desfrutada, contra a frieza nudez da velhice, do adulto. ‘’Maduro como um mamão’’ seria o que minha avó me diria se eu tivesse uma pra me dizer. Assim como a bala de maçã verde, que não é mais verde.  Estão todos procurando cores novas, definições novas para um assunto velho – cresça menino, você é tão infantil – paralisado no tempo. Talvez pela dificuldade instalada no córtex de cada um, ou pela avalanche de abomináveis e execráveis humanos revelados por abalos nas camadas mais fundas da sociedade. A infância tão ‘’preservada’’ e protegida a sete chaves, sete não, 189 chaves de quatro pontas forjadas a laser. A infância protegida que cada sociólogo, intelectual, ator, e participante do BBB, esbravejam ao mundo, morreu.

Diante de tal noticia, a sociedade permanece parada e perplexa. Uma pergunta paira no ar, como o cheiro da vergonha que exala de entre seus braços suados. ‘’Onde poderemos depositar nossas justificativas para os atos inconseqüentes e inapropriados que fazemos?’’ O fato póstumo a morte da infância é o atordoamento. Milhares de jovens promessas, milhares de jovens ídolos, dançarinos da internet, lendas dos jogos, trabalhadores frustrados, crianças de cara borrada, cabelos lisos, músicos. Todos nas ruas, andando como em uma realidade pós- apocalíptica e sem vida.
Situações diárias se tornam pactos de conduta indiferente. Um garoto correndo atrás de uma bola roxa por uma rua, rindo e saltitando é logo repreendido – garoto desenvolva!!! A infância morreu. Você não sabe disso? – e logo ele pega a sua bola roxa e a fura numa grade de portão, rege uma expressão mortificada e segue a procura de algo realmente relevante pra sua vida.

A caminhada segue, o luto passa. Enfim a infância é esquecida. Nada se torna divertido, a rotina se torna a maior demonstração de prazer. Prazer? Sim, ora. Mesmo tendo sucumbido junto da infância o prazer renasceu, remodelado, é claro. Cabelos penteados pra trás, roupas neutras, uma menina sem batom vermelho, olhos sempre alertas e uma perfeição em cada movimento. Seja em ir ao mercado comprar item uteis para alimentação, ou em fazer sexo como o melhor parceiro genético, tendo em vista a passagem dos melhores genes para as próximas gerações.

Não existem mais perguntas bobas e sem nexo como; ‘’O que você vai ser quando crescer?’’ Eles já são grandes e formados, desde o momento de sua concepção, um espermatozóide maduro e cheio de si, que já nasce preocupado com o estereótipo que deverá seguir. Maquiadas e prontas pra matar, limpinhos e calculistas. Sozinho só a lama do quintal, os animais da fazenda e os velhos loucos que não aceitam o fim trágico do seu bem mais precioso.

Para eles, esses velhos loucos. Só resta a frase pertinente de seus netos; ‘’cresça meu avô, cresça e sinta a magia do Ser adulto, antes que o senhor morra como uma criança que não viveu.’’